a rua de prédios onde moram os velhos, as “famílias direitas” e estudantes. os porteiros que só contam o que acontece, nunca interferem, assistem ao futebol na TV. a criança corre. braços cobrindo o rosto. no meio de soluços. grita. “minha mãe, quero minha mãe”. desarrumado. quatro anos. sozinho. “o que houve com você? qual o seu nome? onde você tava com sua mãe quando ela sumiu? como ela se parece? quer voltar lá pra ver se achamos ela? você mora na rua?”. a dificuldade de falar, enxugar as lágrimas. se agarra com força à primeira mão que a ele estendem. se deixa conduzir. anda até com autoridade de mais para a idade que mostra ter com os dedos das mãos. não achamos a mãe. mas o brilho nos olhos dela ao saber que o filho foi achado foi de indescritível felicidade. aquele misto de felicidade, alívio, vontade de matar o filho que sumiu e abraçá-lo e nunca mais soltar.
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“ai, viado”. a frase repetida por ambos. durante toda a briga. tristes os casais que brigam por dinheiro. em público. na rodoviária. a rodoviária, como qualquer estação, com toda a carga de energia negativa que muitos deixam como rastro. ficava ainda mais pesada com suas colunas de ferro e aparência de suja. e a briga entre os dois. só pelo preconceito, já chamariam atenção pelos trejeitos, vestimenta e atitudes perante o outro. mas brigavam. denegrindo a imagem que tanto tentam vender. e destruindo a si mesmos. toda briga destrói todos os envolvidos. sempre. quando entraram no ônibus, eram como dois amigos.
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os prédios são de “famílias direitas”, velhos e estudantes. a mesma do primeiro. “eu tenho um filho pequeno! um filho pequeno! chamem a polícia! é o apartamento 840!” não eram gritos. urros de desespero dão uma leve idéia do medo que se transmitia com essas frases. ouvidas por toda a vizinhança. que foi à janela. que conversou pela janela. e ela gritando. o desespero de saber que alguém está em perigo, em forte sofrimento e não poder agir é, eu acredito, um dos maiores medos. alguém chamou a polícia. só assim pra ajudar. apesar de todos serem instruídos a não intervir. é necessário intervir. os gritos cessaram. as luzes se apagaram. a polícia chegou. as pessoas saíram das janelas. foram viver suas vidas e até contar o que aconteceu, como eu faço aqui.
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a escada rolante vazia. todos subindo pela escada normal. a rodoviária suja cheia, no final de semana. os dois. ele mais baixo que ela. chapéu, mala no pé e o sorriso para a foto. ela de vestido de flores. rugas já marcando levemente o rosto precocemente envelhecido. segura uma câmera fotográfica. daquelas digitais. tira a foto do homem. o cenário? o propósito da imagem? a escada rolante era o tema da foto. a descoberta de quem chega de tão longe para conhecer o que tantos acham banal.
diferente de tudo que você já leu no Movimento Quodlibetário? é que eles finalmente entenderam que faltava uma mulher pra botar ordem nessa bagunça. agradeço as boas vindas.
Botar que ordem em qual bagunça?
Gosto das coisas que você escreve, mas minha visão não é parcial. Seja bem-vinda. ^^
Vai produzir textos assim apenas ou o que vier à mente?
Por: yumejin em Quinta-feira, 19 Junho 2008
às 4:18 pm
Todos os ‘contos-relâmpago’ ficaram muito bons, mas, sem dúvidas, o da criança perdida brilha com uma emoção e sinceridade especiais, você descreveu de forma bem palpável o que a mãe tava passando. ;]
Por: Biggles em Sexta-Feira, 20 Junho 2008
às 10:35 pm
Achei interessante a proposta de coisas curtinhas, bem legal mesmo (droga, ótima idéia, porque não pensei nisso? Ah é, eu não consigo terminar nada, nem mesmo um parágrafo, de qualquer história que escrevo u.u) Quem sabe se você experimentar fazer histórias relacionadas, tipo “Trabalhadores do Mar” do Huxley/”Caminhos Cruzados” do Érico Veríssimo? Podia experimentar.
Encasquetei mesmo com o estilo. Isso de não usar maiúsculas no início das frases e MUITOS pontos finais. Eu gostei, ficou bem fragmentado, assim o fio condutor das histórias não são as orações mas a tênue mini-trama de cada parágrafo. Funciona muito bem para esse tipo de texto, e me lembra um pouco o jeito que eu escrevo xD
Muito boa estréia Moon (SABIA que você ia acabar usando esse nome huaahuahau, sabe “-TCZ-” também foi do mesmo jeito) e espero que você só venha abrilhantar mais nosso conteúdo!
E por ordem nesse troço! “Xisdê”
Ah, e você não é mais a única mulher aqui… mas deixemos as surpresas para quando elas resoverem aparecer.
Por: TCZ em Sábado, 21 Junho 2008
às 10:59 am
Ordem na Bagunça uma ova!!!
Tá achando que porque eram garotos que tomavam conta desse blog que ele ficava abandonado???
Tá bom, nós abandonamos isso vez em quando, mas é por um bem maior.
Eu imaginava que se um dia você fosse entrar nessa “bagunça” você usaria esse nick.
See ya
Por: Mr.Balboa em Sábado, 21 Junho 2008
às 11:26 pm