Publicado por: - TCZ - | sexta-feira, 1 dezembro 2006

De volta ao cárcere

[ouvindo: Plush – Stone Temple Pilots ; Essa música deve ser uma das minhas preferidas , não gosto muito do Stone Temple Pilots mas… “AND I FEEL IT!!!”]

Olá, como vão todos desde a semana passada? Fizeram alguma coisa de bom?

Eu estou ansiosamente aguardando o fim das aulas , enquanto isso só prova atrás de prova (eu deveria estar estudando ao invés de estar escrevendo aqui… deixa pra lá… ).

Nas férias espero adiantar um pouco minha lista de filmes porque continuo imperdoavelmente atrasado, em compensação vi Alexandre essa semana na HBO, um filme legalzinho, melhor até do que eu esperava mas também não é lá uma maravilha cinematográfica.

Mudando um muito de assunto, se alguém aí reparou no tópico abaixo que consiste apenas de um link para o próprio site ignore, foi besteira minha fuçando pelo site ( peço desculpas aos outros números, realmente foi mal aí gente).

E agora vamos à parte preferida por 8 entre 10 esquimós albinos do tibet com acesso a internet em seus iglus, responder os comentários :

Anonymous: pra falar a verdade não tinha nem pensado no V quando criei o nick…realmente, pensar faz bem
Rafael: vai gostar de escrever assim, hehehehe . Eu até ia me aprofundar mais no tópico do clichê mas aí eu ví que ia ficar muito clichê e resolvi descontrair um pouco.
Carol: obrigado pela aprovação do nick.
Julia: também gosto de nip/tuck , assisto de vez em quando.Cara de porteiro, hehehe,adorei essa
Jaques : que bom que você achou “Style”!
#0 : já lí “Para Além do Bem e do Mal”, achei Nieztche meio pentelho também
Canhestro: agora já me acostumei com o X, mas pi seria uma boa…

Já que pediram pra falar mais sobre a minha breve passagem pelo xadrez vou retomar esse assunto.
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Eu e o grupo com que eu estava chegamos de ônibus à cidade de … por volta das 11:30 da manhã, era um dia quente mas quase todos estavam vestidos com roupas formais, camisas sociais, ternos, as meninas com vestidos e terninhos. Enfim,uma situação um tanto quanto desconfortável.

A primeira visita a ser feita era na Casa de Detenção de …, para quem não sabe a diferença, casas de detenção são o lugar em que ficam os presos julgados até que saiam as sentenças e eles sejam enviados a outras instituições. Nós não pudemos entrar lá de uma vez pois estava sendo conduzida uma inspeção de segurança nas celas então demos meia volta e fomos primeiro à Colônia Penal Agrícola que fica a poucos metros da casa de detenção.

A Colônia Penal Agrícola é uma instituição para presos que já estão no sistema carcerário a mais tempo, são pessoas que apresentam bom comportamento e não pertencem a nenhuma facção do crime organizado ou seja, um lugar bem mais tranquilo do que a prisão convencional.

Naquele local funcionava uma fazenda e ainda retinha muitas das características das fazendas. A entrada é muito simples, um portãozinho de ferro que dá pra uma estrada de terra, o muro faz divisa com casas mal construidas, do outro lado apenas morros com vegetação expessa, a única coisa que segura os presos lá é a convicção dos mesmos e uma contagem de verificação esporádica. Eles sabem que estão em um lugar bem melhor do que poderiam estar e não querem aumentar a pena tentando fugir, já que a maioria deles cumpriu quase toda.

A visita foi relativamente calma, o único sinal de confusão foi no início da visita em que um dos detentos se encontrava na única cela lá presente ( os outros ficam em dormitórios). Da cela nós ouviamos ele gritar “eu estou aqui por uma injustiça!”. E logo depois o grito foi substituido por um “bate, bate mesmo desgraçado” enquanto um dos guardas realmente o fazia.

Vou cortar o breve encontro com um homicida (vocês podem até achar que eu deveria contar, mas vai por mim, o cara era tranquilo demais, não aconteceu nada de relevante) e vou logo pra parte que interessa.

Voltamos à Casa de Detenção de … , uma instituição de segurança máxima. O primeiro par de portões é cercado por uma cerca de arame comum com arame farpado encima, entre os dois primeiros portões havia uma guarita e, logo após a cerca, o estacionamento dos funcionários, mais uma guarita e a entrada de fato.

A segunda entrada era constituida de portões de ferro enormes, pintados de amarelo, cercados por um muro de concreto alto com direito a arame farpado e cerca eletrificada encima, algumas câmeras e guaritas com guardas armados (os guardas que circulam dentro do local não podem portar arma). Logo depois de passar pelos portões fomos cumprimentados pelo diretor da instituição, uma das primeiras coisas que ele nos disse foi: “Aqui dentro é Comando Vermelho”.

A partir daí deu pra sentir a tensão aumentando, logo que passamos pelo detector de metais , pelo escritório administrativo para o pátio externo nós começamos a ouvir a comoção. Lá dentro há um conjunto de “prédios” com uns 3 andares e, dentro deles, as celas onde ficam os detentos.

Apesar da omissão do diretor quanto a isso, nós conseguiamos ouvir os presosclaramente agitados nos andares superiores e, por não nos deixarem ir até lá, a dedução geral era de que algo havia ocorrido durante a inspeção… o clima definitivamente ficou tenso e assim nós entramos em um dos “prédios”.

Todas as janelas e portas tinham grades amarelas grossas e os guardas que nos acompanhavam vinham fechando as grades atrás de nós. Nós vimos o pátio interno do prédio, as salas de atendimento médico e psicológico, a sala em que os advogados falam com seus clientes, uma sala para orações e, pasmem, uma cantina “de escola” completamente funcional e bem suprida dentro da prisão !

Entramos um pouco mais no prédio e , aí sim, pudemos ver as celas . Primeiro uma grande cela coletiva onde aproximadamente 60 homens dormem. O cheiro era péssimo, imaginem um lugar com um só banheiro para 60 homens! Todos os detentos olhavam fixamente para o chão, com o cabelo e barba obrigatoriamente raspados, alinhados lado a lado na frente de suas camas.
Alguns deles vestidos de branco (cor de uso obrigatório) e outros de verde (apenas aqueles designados a serviços de manutenção e limpeza do local).

Logo depois fomos às celas individuais, reservadas a presos que devem ser mantidos isolados dos demais, tanto por comportamento indevido quanto por proteção do próprio presos.

Essas celas são praticamente cubículos, com uma “privada” no chão logo à direita da grade. Dentro delas podiamos ver as iniciais C.V. rabiscadas nas paredes, além de outras apologias a líderes da facção. Os detentos estavam, por ordem dos guardas, com a cabeça encostada na parede dos fundos, olhando para baixo e com as mãos também contra a parede.

Não demoramos muito mais para ir embora, já que não podiamos ir aos andares superiores . Aparentemente os guardas estavam com dificuldade de conter a confusão (apesar de, em momento algum admitirem haver confusão) e entrar lá com roupa formal (principalmente as de cor vermelha, por motivos óbvios) seria pior do que entrar gritando “Só tem viado aqui!!!”.

A sensação ao sair daquele lugar de muros altos foi uma sensação generalizada de liberdade, só por podermos ver o horizonte de novo. Agora, se nós sentimos isso depois de poucas horas naquele lugar imaginem o que não sente alguém que ficou anos preso…

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Espero que isso tenha esclarecido algumas dúvidas, se ainda restar alguma é só postar um comentário que no próximo post eu respondo, beleza?

Bom gente, é isso aí, mais uma semana, mais um post .
Espero que nesse domingo o #0 atualize isso daqui de novo com mais um post interessante.

Até a próxima
beijaço nas meninas, um valeu à distância para os caras.

[ouvindo: Say Hello to Heaven – Temple of The Dog; o Temple foi um projeto do pessoal do Pearl Jam (mais especificamente os guitarristas Mike McCready e Stone Gossard, o vocalista Eddie Vedder e o baixista Jeff Ament) e alguns caras do extinto Soundgarden (o vocalista Chris Cornell e o baterista Matt Cameron) , eles entraram no estúdio pra gravar um CD em homenagem a um amigo mútuo que havia falecido. As músicas são ótimas, eu recomendo]

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