Publicado por: - TCZ - | domingo, 11 fevereiro 2007

Hipopótamos


[Escutando… minha mãe lavando a louça. Merda, esqueci de almoçar de novo.]

Ah, estou de volta. (Bom, isso é meio… óbvio.) Agora mais negativo do que nunca. rá, rá. (E, como podem ver, ainda sem graça.)

Digamos, hipoteticamente, que tivéssemos hipopótamos selvagens soltos por aí, no meio da cidade. Por um momento, esqueçam todos os óbvios argumentos sobre o quão absurdo isso seria, por favor. Bem, não sei se todo mundo sabe, mas os hipopótamos são animais extremamente perigosos(1), mais que elefantes. (afinal, elefantes são ônibus orgânicos indianos(2)) Porque? Huh, alguma coisa sobre defender territórios e uma insólita rapidez. (os jogos de luta realmente nos enganam quanto a relação inversa entre tamanho e velocidade(3)).

Agora imaginem o problema: dezenas de mortos diariamente, atacados por hipopótamos. A sociedade civil iria se revoltar, claro; os principais atingidos, como sempre, seriam os jovens. Irresponsáveis, invariavelmente alcoolizados (4) ou idiotas de um modo geral (como o polêmico documentário “Malhação” denuncia), não respeitariam os territórios dos gigantes azuis.(meus hipopótamos são azuis, e daí? Não sei descrever que diabo de cor é aquela dos hipopótamos de verdade. então quando penso em um me vem a imagem das criaturas humanóides azuladas de uma certa coleção de miniaturas do Kinder Ovo.) Provavelmente, invadir uma área povoada por hipopótamos acabaria constituindo, entre as práticas tribais típicas da juventude, algum tipo de desafio, rito de passagem, etc. Além disso, os territórios ocupados por hipopótamos se tornariam o lugar perfeito para práticas corriqueiras do cotidiano de uma grande metrópole, como queima de arquivo, assassinato, suicídio, desova de cadáveres, etc.

Os pais de família com certeza pregariam pelo extermínio sumário das “sanguinárias bestas” (para desespero dos ambientalistas) que estariam “roubando o futuro” dos nossos jovens. claro, nunca era culpa dos pobres garotos, tão bem educados (ora, com um investimento tão grande, tem de haver retorno, eles pensam. Mas no Mercado, nem sempre é assim. E o mundo, todos sabem, é um Supermercado.) Ruim mesmo, claro, seria a situação dos pobres, miseráveis e fudidos em geral. Esses, sem grana pra arranjar moradia em áreas seguras e secas, acabariam se abrigando junto aos hipopótamos. E, bem, duvido muito que as duas espécies iniciassem algum tipo de conveniente simbiose, porque, provavelmente, os miseráveis (essa triste subespécie, segundo certos autores(5), do homo sápiens) ainda mais territorialistas que os “monstros smurf”(6), dificilmente aceitariam dividir sua terra com esses animais.

Que sorte que, em nossa feliz realidade, não temos que dividir nossas áreas urbanas com outras espécies violentas, assassinas e sanguinárias, como os hipopótamos. Tirando uns pitbulls e pedófilos, espécies cujo habitat natural são pracinhas e a dieta em geral se resume a crianças, e a variação dos pitbulls adaptada a vida noturna, os, surpreendentemente estúpidos para os padrões caninos, pitboys, (e também jacarés, que vivem em esgotos e cemitérios(7) ) não temos que nos preocupar com a ameaça de bestas irracionais, como os pobres (literalmente) dos africanos. Aqui, nessa terra abençoada, extinta praticamente toda espécie selvagem, podemos viver em paz com nossos semelhantes, na paz que só a civilização pode alcançar! “Oh, cool fictional world, that has such people in’t!”(8)

NOTAS:
1- Zee, T.C. A Ontological Aproach to zoology. EUA, 2020
2- Nobre, R.F. Organish Vakuum überfälig Metaphysik. Alemanha, 2052
3- Nobre, R.F. Subjective Reality Metaontology on Videogames. Japão, 2012
4- O Globo, 11 de fev. de 2050, pág 7
5- Reasonaro, P.P. A Urgência da Pena de Morte no Brasil. Brasília, 2024
6- Zee, T.C. A Ontological Study on Pop Culture. EUA, 2030
7- Pinto, J.B. O Ecossistema Necrófago. Rondônia, 2020
8- Zee, T.C. Cool fictional World. EUA, 2013

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