Publicado por: - TCZ - | segunda-feira, 26 fevereiro 2007

Galinhas

[Escutando… o eletricista instalar o ventilador de teto na sala. Finalmente! no fim do verão.]

 

Ah, bom, carnaval, como todos sabem, é uma semana onde todo dia é sábado, portanto segunda de carnaval não conta… (e eu realmente perco a noção do tempo nessas datas) Enfim, hoje estréio meu novo dia de postagem dando continuidade a minha (infame) trilogia dos lendários animais azuis: depois do hipopótamo… a galinha. É sério.

A muito tempo atrás, na minha juventude, conversava com uma galinha (ainda era o tempo em que os animais falavam). Não era uma galinha comum, de fato; até porque eu não ficaria conversando com uma galinha qualquer no meio da rua. Ela era uma galinha azul. (sim, haviam galinhas soltas por aí; mas éramos livres dos terríveis hipopótamos que infestam as cidades de hoje em dia)

A galinha cerúlea me contava uma curiosa história que ocorrera em sua época, que era ainda anterior a minha (era uma galinha já idosa). Segundo ela, seu antigo galinheiro era, no mínimo, um lugar estranho: além dela, de penugem azulada, havia outra aberração: um galo voador. Obviamente, os dois eram discriminados pelas outras galinhas e pelo outro galo, velho e fraco, mas ainda com força para cacarejar bem alto. Ela tinha seus ovos pisoteados pelas outros galinhas, que diziam não querer mais aberrações como ela no galinheiro. O galo voador também sofria: embora tivesse belas e fortes asas, tanto que podia voar, seu cacarejo era muito fraco e baixo, e por isso era considerado um inútil, que só vivia com a cabeça nas nuvens (se bem que isso fosse verdade, literalmente) pelas galinhas, que não cruzavam com ele. Prefiriam o galo velho, pé no chão e melhor no grito.

Eu perguntei então porque a galinha azul e o galo voador não iam embora dali e formavam, juntos, um novo galinheiro? (nota: nessa época as galinhas viviam livres, por isso ela podia ir embora do “galinheiro”, que só era chamado assim porque a minha interlocutora esquecera o termo que se usava na época para o lugar onde as galinhas selvagens viviam) Ela então me respondeu, sem ocultar certo constrangimento, que mesmo ela tinha preconceito para com o galo. na época se desculpava dizendo que não queria que seus filhotes tivessem um destino ainda pior que o dela, sendo azuis e voadores.

Já meio de saco cheio daquela fábula, que achava, na época, idiota (bom, talvez ainda seja. Tá, hoje é mais ainda.) e atrasado para um encontro (ah, a juventude, quando ainda tinha paciência para essas coisas!), pedi para que ela me resumisse que fim levaram os dois galináceos mutantes. “No fim”, disse ela, “fugi para a cidade, onde dei sorte e fui contratada como modelo fotográfica para uma famosa indústria alimentícia…” Já o galo voador… bem, ela ouvira falar que um dia, sem suportar mais a solidão, voou tão alto, tão alto que foi atropelado em pleno céu por uma baleia e morreu.

Por isso hoje temos galinhas azuis, mas nenhum galo que voa, concluiu a galinha. “Bem, vou-me”, ela se despediu, então abriu as asas e voou. Diante da minha perplexidade, ainda me disse, enquanto se afastava, se confundindo com o céu: “bom, até existem galinhas que voam; porque nós não somos idiotas a ponto de ficar exibindo isso por aí, ou tentarmos ir mais alto do que devemos, como os galos.” e foi embora, rindo. Então peguei minha saudosa shotgun branca, derrubei a penosa e fiz um ensopado, pois nessa época era difícil arranjar galinha pra comer, já que elas eram selvagens.

Com o tempo, a plumagem azul saiu de moda, e as galinhas azuis não conseguiram mais procriar, pois haviam poucos galos, e esses só ficavam com as galinhas mais atraentes (ou com outros galos…). E por isso hoje não existem mais galinhas azuis. E as galinhas (não-azuis) que sobraram ficavam ocupadas demais para aprenderem a voar, cuidando dos seus ovos e vigiando seus galos para evitar que eles pulassem a cerca do galinheiro.

P.S.Não percam, na próxima segunda, o fechamento da trilogia com… huh… não decidi ainda. Até. Espero.

P.S.2: #Zero-a-direita, cadê minha maldição?! que discriminação é essa?! só porque sou.. huh.. negativo?

N.G.C: Aliás, Boss Zero, e o meu salário? como a carga horária dobrou exijo aumento de uns 50% pelo menos! espera… quanto é 150% de R$ 0,00?!

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