Publicado por: yumejin | sábado, 3 março 2007

A Causa Secreta

Televisão – American Idol: o caso Simon

O título é referência a um conto de Machado de Assis, lido há algum tempo e relido ainda ontem. E é talvez essa causa secreta que anime os fãs de Simon, o jurado cruel do American Idol.

Para quem não o conhece, ou só ouviu falar de leve sobre, Simon é, como dito, um dos quatro jurados do American Idol, programa destinado a procurar, surpreendentemente, o próximo ídolo estadunidense.

Para isso, existem as preleções, fase onde os jurados visitam certas grandes cidades em certas regiões dos Estados Unidos, e agüentam horas e horas e apresentações de bons cantores [raríssimos], cantores razoáveis [bem incomum], cantores excelentes [só vi dois, mas valeram a pena] e cantores medíocres, se é que se pode chamar de canto a performance deles [mais comum do que Caterpie na Floresta de Viridian].

Uma pessoa comum, eu, você, o jornaleiro ou Roberto Justus, não, esse último não, Roberto Justus é um alienígena incapaz de duas coisas, modéstia e expressão facial, mas, continuando, alguém normal acreditaria que essas horas de tortura transformariam um jurado no demônio de Fausto.

Contudo, não é por isso que Simon é de uma crueldade e falta de eufemismos ímpar. Não o conheço a ponto de fazer um julgamento totalmente acurado, mas penso que este homem acredita que a verdade deve ser dita, doa a quem doer, e ignorem-se as lamúrias, os choros, as injúrias. Se alguém é péssimo cantor, que isso seja dito de uma só vez, sem enrolação, sem passar a mão pela cabeça do coitado e dar um doce, como se isso fosse compensar a falta de qualquer habilidade nessa área invejável.

Claramente, ele se diverte fazendo isso um pouco mais do que é socialmente aceito, mas não é o prazer dele que me importa agora. É o dos telespectadores desse programa, aqueles que em casa ligam dia após dia no People+Art tão somente para se deleitar com os comentários da língua ferina do Simon.

Já dizia a vó de alguém, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Como é de praxe, os ditos populares não são populares à toa – de fato, eles fazem algum sentido. E esse, em especial, é diretamente ligado ao nosso assunto.

Quem assiste American Idol dificilmente quer escutar alguém que canta bem, mesmo porque, assim como eu e outros bilhões de mortais, a maioria esmagadora dos telespectadores sabe avaliar uma voz tanto quanto diferenciar uma borboleta macho de uma borboleta fêmea. Eu, pelo menos, não sei.

Dessa forma, o que interessa são os candidatos bizarros, pessoas que se fazem ridículas, cantando mal e se apresentando de maneira ainda pior, contrariando uma possível lei da humanidade que diria que nada pode ser pior do que a voz da referida pessoa.

E aí que nosso amigo, ou melhor, amigo da onça, Simon entra. Ele é o catalisador de todos os pensamentos malvados e cruéis que perpassam nossa mente.

O prazer quase obsceno causado pela dor dos outros, essa é a razão secreta, algo que, para o espanto de quase ninguém que tenha mais de dez anos e que já tenha passado por situações humilhantes na escola, movimenta boa parcela dos seres humanos. E talvez aqueles babacas sádicos que procurar qualquer oportunidade para importunar quem quer que seja. Mas, com certeza, é a força por trás do criador das pegadinhas do “Topa Tudo por Dinheiro”.

[PS: Façamos assim… segundas, quartas e sextas, visitem a Troubleshooter S/A. Nos sábados, venham ao Oroborosai.]

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Responses

  1. não seria da ciência comparável ao tarô que você falou nesse post?

  2. Sábados huh? Lembrarei disso.

    Mas quanto ao Simon, eu não assisto ao programa (sim, existem pessoas sem tv paga) mas já ouvi falar dele. Muito até. Aquele gordo de cabelos brancos do “Ídolos” (nossa versão Herbet Richards) imita essa neruastenia caracterísita do gringo.

    E via YouTube eu vi um dos maiores esporros públicos que ele deu. Me deu pena.
    Do inventor do BulletBall. Procurem por esse nome, deve dar resultados..
    Acaba que assistimos mais para rir com os candidatos péssimos e com a acidez do Simon que para realmente ver “ídolos americanos”.. como vc mesmo disse Yumejin-kun.

    No mais era isso mesmo.

    E você deve ser a única pessoa capaz de citar Pokémon e Machado de Assis no mesmo texto!

  3. ahn…sem querer ser chato mas American Idol passa na Sony , não no People and Arts…

    Tirando isso , você já ouviu falar em Schadenfreud?
    É um termo alemão usado pra denominar a felicidade que os seres humanos sentem ao ver os outros seres humanos se ferrando… acho q caberia bem ao que você tentou expressar nesse texto, não acha?

    De qualquer forma, obrigado pela propaganda , nosso chefinho sr.#0 acertará com você os honorários ( q será 3 vezes o que eu e o -2 recebemos).

    keep up the good job

  4. O Simon é o criador do American Inventor E do American Idol.Ele deve achar conveniente ter um personagem que crie um tabu gigantesco, pois sabendo que os outros dois jurados sempre darão um certo “refresco” nos candidatos, a opinião dele é sempre imprevisível.Mesmo sendo negativa, a resposta é sempre criativa.Deve dar audiência, presumo.O personagem odiado bla bla bla
    Eu não suporto os comentários dele também, mas as vezes eu acabo rindo do que ele fala.
    No mais, o american idol é bom até eles escolherem os 12 que participarão do programa.O legal é rir bastante, mesmo sabendo que a maioria ali tem o verdadeiro sonho de cantar (o que vem a raiva do simon ser tao grosso e destruir com o sonho e com a pessoa).


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