Publicado por: - TCZ - | quinta-feira, 8 março 2007

Nunca olhar para trás?

[Speed – Angra. Realmente esse álbum mostra como o Matos pode cantar absurdamente… e essa faixa é um exemplo disso. Primeiro parece ser uma faixa sem maiores méritos, mas lá pelos 4 minutos e 45 segundos… uma palavra: CREDO]

E como vão vocês todos? Se divertindo?

Aqui no santuário (sim, comparado aos tempos de aula, minha casa e cidade natal são santuários) tudo na perfeita ordem. Claro, essa ordem/normalidade tem outro nome: TÉDIO.

Mas caminho ativamente para mudar isso. Voltando a acordar cedo e estudar, mas nada muito violento. Só para tirar o pó e manter a energia fluindo.

Vejo-os no posfácio

***

[Hoje farei algo diferente aqui no Shooter. Hoje é dia de olhar para trás, avaliar como as coisas eram e como são. Então resolvi postar um texto muito velho meu, um trabalho de Filosofia do primeiro ano do ensino médio de Filosofia da Ciência abordando a história do Monstro de Frankenstein. Foi o primeiro texto que me orgulhei de ter escrito, mas lendo-o hoje vejo como mudei. Leiam se tiverem paciência para tanto.]

 

“O ROMANCE:

 

Frankenstein. Este nome nos traz lembranças. Para alguns de nós, representa um monstro com parafusos no pescoço, mas para outros representa uma das maiores obras da literatura. Escrito por Mary Shelley em 1816, desperta-nos até hoje questões a respeito dos mais variados temas, entre eles, religião e ética, que tanto na época quanto agora no mínimo incomodam.

O doutor Victor Frankenstein, quando cria sua criatura, esbarra em várias regras, sejam elas seculares ou divinas.

Frankenstein, na tentativa de satisfazer seu ego, desafia Deus e a moral, e não pensa nas conseqüências da experiência.

Por esse motivo, Frankenstein foi um livro marcante para a época, pois, assim como o “Médico e o Monstro” (Robert L. Stevenson,) e “O Homem Invisível” (H.G.Wells ) mostra como antagonista, não uma baleia como Moby Dick (Herman Melville) ou Deuses antigos como Cthulhu (H.P. Lovecraft), mas sim o pior dos monstros: o ser humano e sua personalidade assombrosa. Contudo, esta é a questão real: Quem realmente é o vilão?

————————————————————————————————————————————

Da criação e da ética:

“Acaso, ó Criador, pedi que do barro

Me moldasses homem? Porventura pedi

Que das trevas me erguesses?”

John Milton

Paraíso Perdido, X, 743-5

O monstro de Frankenstein é um golem de carne. Uma criatura artificial criada pelo homem. Um ser não-natural criado sem a interferência direta de deus. Neste ponto um golem pouco se difere de um clone ou de um replicante (Blade Runner; Ridley Scott). Nos casos citados, se questiona a ética através da pergunta: Até onde vai o domínio da ética sobre a criação humana?

A criação humana se manifesta das mais diversas formas, e toda ela está envolvida na busca por conhecimento. Seria essa busca regulada pelo bem-comum. como disse Rousseau? Ou como diz Protágoras, a medida única seria apenas o homem e nada mais?

A questão remonta a outra ainda mais abrangente: O que levaria o homem à busca de conhecimento? Talvez o fato de pôr sob seu comando algo desconhecido dê ao ser humano uma falsa sensação de poder. Daí pode-se concluir que então o homem busca o conhecimento unicamente para dominar. Então, o sentimento humano que guia a produção científica seria o egoísmo e a ambição, e não o filantropismo (O que seria certo, segundo alguns). No entando, dessa forma, seria justificável sacrificar valores éticos em prol do conhecimento. A questão mais delicada (pelo menos, a meu ver) seria o fato de que a criatura, enquanto inteligente, teria pensamentos, conseqüentemente, consciência. Então, teria consciência de sua origem, seu criador? A mente de um construto funcionaria da mesma forma que a de uma criação natural? Ela teria certeza de sua individualidade?

As criações literárias sempre levaram em conta o horror que o “monstro” provocaria nas pessoas ao redor, mas alguém pensou no “monstro” e seus sentimentos e seus pensamentos? Em Frankenstein, isso fica claro quando a criatura é rejeitada pelo mundo (Incluindo seu “Pai”) e percebe que sua desgraça pertence somente a ele, que não tem igual no mundo. É justo que os sentimentos de uma criatura inteligente sejam espezinhados desse jeito? Não seria cruel saber que você é na realidade um experimento rejeitado composto por partes de assassinos?

As implicações psicológicas dessa constatação são incomensuráveis. É desumano causar tamanho sofrimento a outra criatura.

Até onde vai o limite da ética referente à busca de “matéria-prima”? Em Frankenstein, são utilizados cadáveres humanos. Isso seria correto? No entanto, cadáveres, partindo do princípio que estão mortos, não têm mais direitos como seres humanos. Se assim for, qualquer “peça” poderia ser usada, bastando que não seja mais parte integrante de um ser vivo… Porém, isso gera problemas. O homem passou um grande degrau na escada evolutiva depois que desenvolveu respeito pelos seus mortos e passou a enterrá-los, a respeitá-los. Então, assim que profanarmos os nossos mortos, regredimos na escala evolutiva. Regredir para avançar? Antitético, não? Outra questão recente em que se pode usar uma linha de raciocínio semelhante é o dilema da clonagem. Seja para fins terapêuticos ou não, a clonagem choca-se com praticamente todo o mundo cristão. Nesse caso, a profanação seria maior, devido ao fato de serem utilizados, ao invés de mortos, “pessoas” vivas. Encontramos aí a questão da validade do construto enquanto ser vivo. Todavia, esse assunto será abordado mais adiante. Por enquanto, vamos partir do pressuposto católico de que um embrião em suas fases iniciais é considerado um ser vivo. Neste ponto, teríamos então, além do ato sacrílego, um homicídio———–, pois uma vida seria exterminada a favor de outrem. Seria um exemplo de solidariedade, se não fosse o fato de que a “vítima” não tem meios de defesa viáveis. Sequer teria consciência real do ato. Seria justificado usar uma vida para salvar outra? Aproveitaria-se de um erro para compensar outro?

Os chamados “erros” que a ciência comete em sua busca pela verdade são plenamente justificados pelo fato de que a aquisição de conhecimento é um dos caminhos evolutivos da espécie humana. A capacidade de intelecto e raciocínio e, sobretudo, o livre-arbítrio são fatores que diferenciam-nos das demais criações e, por esse motivo, devem ser preservados. Todo método é válido e toda ação plenamente justificável dentro deste contexto. Apenas faz-se necessário perceber que nem todos podem ser beneficiados em todas as ocasiões, e que, para que haja progresso, são necessárias perdas. Sacrifícios têm de ser feitos em favor do bem maior: a aquisição de conhecimento. Os chamados “limites”, “escrúpulos”, são dispensáveis.

Entretanto, jamais o homem deve se esquecer do fato de que, como diz a música, “O mundo dá voltas”. Jamais deve se esquecer do erro primordial, seja de Frankenstein ou Jekyll; deve-se sempre pensar nas conseqüências que a inconseqüência traz, pois, nesse caso, o sacrifício seria demasiado para a grandeza da obra. A relação custo-benefício darwiniana mostraria sua face.”

***

Bem, primeiro desculpas sinceras aos leitores do Shooter por ter posto aqui esse texto idiota. Sim porque embora ainda tenha um carinho muito grande por ele, eu vejo como era tosco… o texto inteiro é muito pedante, cheio de referências que quase dizem “olha tia, eu tenho conhecimentos culturais”! Desprovido de conteúdo real…

¬¬

É que hoje estou em um dia bastante vazio. De conteúdo e de mim mesmo. Sorte que tenho um banco de dados maior que os dos outros Shooters, então tenho textos reservas para dias assim (vantagens de se ser o Boss :P)

No mais senhores leitores, até sexta com o post do X.
Nos vemos denovo na Quarta que vem com, prometo, um post INÉDITO

Até para mim

See ya

[No Pain for the Dead – Angra. Eu quando cantei no show, cantei as partes da Sabrine… (quem conhece a música vai ter motivos para rir de mim ahauahau)]

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: