Publicado por: yumejin | domingo, 18 março 2007

O Quinto Filho

[Sim, eu sei, uma semana e um dia atrasado. Acontece. Minhas desculpas, minha dezena de leitores.]

Bem, eu tenho quinze temas armazenados para posts no meu computador. Alguns bem desenvolvidos, outros ainda em fase de preparação, mas, no geral, temas interessantes, ao meu ver. Contudo, eu aprecio muito a aleatoriedade, o acontecimento de um evento inesperado, e gosto de utilizar esse eventos.

Pois muito bem, eis que eu estava sentado na faculdade, assistindo a aula de Cálculo III, quando olho para o garoto sentado ao meu lado. Um garoto normal, que muito pouco ou nada interessaria a uma pessoa qualquer, exceto por um detalhe que realmente me chamou a atenção, embora eu não seja jamais parâmetro para pensar em pessoas normais, e me orgulho disso.

A característica que me chamou a atenção não era sequer do garoto em si, e sim, do estojo dele, de cor preta e com algo escrito, como um desses que você encontra em cima das carteiras verdes dos meninos do primário. Por algum motivo, o que tava escrito ali capturou meu pensamento.

ISSACHAR

ISSACHAR IS A RAWBONED DONKEY L-
YING DOWN BETWEEN TWO SADDLEBAGS

Da forma que foram colocadas no estojo, ficavam as palavras organizadas em duas linhas bem alinhadas, onde o hífen coincidia com o ‘s’ final de “saddlebags”. Uma tradução livre do que aí está seria “Issacar é um burro forte sentado entre dois fardos”, é claro, transladando o significado, e não as palavras em si, que é melhor que se passe o significado em palavras próprias da língua receptora do que traduzir tudo ao pé-da-letra e ficar com uma frase sem o mesmo impacto no leitor da versão traduzida do que teria no leitor da versão original.

Quem é Issachar? Por quê um “rawboned donkey”? Que frase é essa, pra estar num estojo?

E isso me martelou e há quinze minutos, no meio de todas as inutilidades da Wikipedia, eu lembrei de procurar. E descobri que já tinha lido sobre Issacar, em português, há alguns meses, quando li o primeiro livro dos setenta e dois. Gênesis.

Issacar é o quinto filho de Jacó e essa é a frase que Jacó usa para profetizar sobre o futuro do filho e da descendência do mesmo, na forma da tribo de Issacar, uma das doze componentes da Monarquia Unificada e, mais tarde, uma das dez do Reino de Israel.

E qual era o real significado disso? Ninguém ficaria feliz de ser chamado de burro… então, por quê isso era bom para Issacar?

Pesquisando e pensando mais um pouco, acredito que compreendi o agouro do pai. Um bom agouro, na verdade. Um burro é um animal que trabalha nas situações mais extenuantes, carregando pesados fardos, sem reclamar. Contudo, é também um animal ‘sensato’, que entende seus limites e compreende a situação em que se encontra. Por isso, no momento em que se vê enredado em um trabalho além da sua capacidade, um peso acima do seu limite ou um caminho que leva à ruína, o burro decide que o melhor a fazer é simplesmente sentar e ficar parado no mesmo lugar.

Jacó, assim, quis dizer que Issacar e seus descendentes seriam trabalhadores fiéis, para quem não haveria tempo ruim. Porém, eles saberiam a hora de parar e largar os dois fardos que deveriam carregar, entendo que isso não levaria jamais a um bom resultado.

O que isso tem a ver com qualquer coisa? Nada. Só achei interessante.

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Responses

  1. concluimos: pessoas da faculdade são loucas de várias maneiras.

    o menino tem isso escrito no stojo e você faz um post dedicado à explicação do que tem ecrito lá.

  2. Senti um clima de filmes/livros de investigação estilo “A Lenda do Tesouro Perdido”
    É bom mesmo pesquisar coisas desse modo, graças a Deus temos hoje a Mary Wikipedia, esposa de John Google, sem dúvida o casal mais inteligente do muindo atual…

    Wikipedia – O passatempo do nerd entediado (acho que mandarei essa para eles)

    Mas quando ao burro (prefiro ASNO. Em referências mais antigas do oriente médio se usa mais Asno que burro) eu sabia do significado sim. É aquele negócio, as pessoas “espertas” consideram errado ser sensato e esforçado. Por isso pessoas “não-espertas”, sendo “como burros” tornou esse nome prejorativo.

    Mas todo mundo que comenta aqui e você Yumejin-kun sabiam disso, mas eu quis falar assim mesmo.

    Até mais e segunda-feira passam no Shooter ok?

    Ps.: acho que evoluimos como blogueiros… ambos estamos preparando posts antecipados… hewhewhewhewhew

  3. estranho ver isso num estojo… sei la

    mas achei mt interessante de qualquer forma, se a gente prestar atençao vai ver q por todos os lados tem coisas assim… cheias de conexoes com outros assuntos q à primeira vista nada tem a ver com o objeto inicial ^^

    o/

  4. Mesmo tendo entendido, ainda acho muito estranho se ter isso escrito no estojo, daria um belo motivo para conversar :P Ah, vai, no minimo é intrigante saber o porque de se escrever isso num estojo..
    Lendo o comment do #0, eu iamginei o dono do blog pensando “isso daria um ótimo post” hehehehe
    (pior se a resposta for “ah nao fui eu que escrevi isso, foi meu irmão de 11 anos”)

  5. Conclusão: Pessoas de exatas são estranhas.

  6. Que blog de emo, cheio de letras, formando palavras, frases… argh! Honre a nação tecnológica, coloque uma integral no meio disso já!
    Ok, se eu passar em Cálculo III eu leio isso… talvez… eventualmente… ou não…

  7. Ah, só seria interessante se estivesse escrito em latim, aramaico… algo assim. Tudo bem que seria incompreensível pra maioria das pessoas, mas seria mais “cool”. (ora, se não fosse pra ser “cool”, por que o sujeito escreveu in english?)


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