Publicado por: yumejin | domingo, 18 novembro 2007

“One Flew Over the Cuckoo’s Nest”

Capa de One Flew Over the Cuckoo's NestOne Flew Over the Cuckoo’s Nest ou Um Estranho no Ninho, na escolha de título no português brasileiro, escrito por Ken Kesey.

Esse é um dos poucos livros que recomendo que vejam primeiro a adaptação cinematográfica e depois leiam o mesmo, não só porque a versão em filme é excepcional, mas porque, de certa forma, ler o livro e ver o filme são experiências complementares que não se contradizem ou destroem.

De forma primorosa, com um linguajar simples, pontilhado por certas expressões não-tão-apropriadas-para-a-família-toda, Ken é capaz de guiar o leitor através da visão de um esquizofrênico, alguém que enxerga na realidade coisas que não estão ali, ou que talvez estejam e as pessoas normais é que não são capazes de ver.

Se, por um lado, é fácil distingüir o que é alucinação do que não é, por outro, é difícil não concordar que, de certa forma, elas mostrem a realidade melhor do que qualquer pessoa comum seria capaz de descrever. Em especial, a impressão que a enfermaria completamente esterelizada e asséptica causa em um interno ou como uma expressão pode subjulgar qualquer ânimo.

Embora o narrador seja um dos personagens principais, o verdadeiro embate e a trama gira em torno da Enfermeira Ratched, apelidada de “Chefona”, e de Randle McMurphy, um novo interno vindo de uma penitenciária com um fraco por jogatinas, apostas, bebidas e mulheres.

Fugindo do clichê, essa não é simplesmente uma luta entre caos e ordem ou entre liberdade e submissão, mas uma demonstração do quão longe uma pessoa pode ir.

Se existem defeitos nesse livro, um deles é a quantidade de personagens de apoio sem grandes descrições – alguns deles chegam a ser explorados mais a fundo, como Billy Bibbit e Harding, mas outros, como Sefelt e Scanlon, são quase bidimensionais, exigindo até mesmo certo esforço de quem lê para serem lembrados.

One Flew Over the Cuckoo’s Nest pode não ser considerado um clássico, como Cien Años de Soledad ou Dom Casmurro, mas é uma boa leitura e, de forma alguma, um desperdício de tempo ou apenas falta de algo melhor para ler. Se estiver em seu poder, assista o filme e leia o livro. Talvez você passe a pensar em certas coisas, como manicômios e doentes mentais, coisas que jamais teriam passado pela sua mente.

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