Publicado por: yumejin | sexta-feira, 23 novembro 2007

Universo Particular

Nebulosa do Caranguejo[Marisa Monte – Segue o Seco]

Acredito que esta idéia já tenha cruzado os pensamentos da maior parte das pessoas, ou ao menos das inteligentes, quatro em cada dez, digamos. Contudo, como é muitas vezes maior o número de fragmentos que emergem na torrente cerebral para imergir logo depois do que o dos que conseguem se manter flutuando por mais de 3 minutos, acho que uma parcela muito reduzida dessas mesmas pessoas prestaram consideração a esse fato que mal pode ser compreendido pelo nosso reduzido intelecto, sedento e pouco capaz de sorver mais do que uns gotejos.

Vou pedir algo muito, muito fácil nos dias em que vivemos: pense em si mesmo. Cada um de nós tem um conjunto de valores, uma mitologia, uma série de avaliações das pessoas, uma lista de listas de coisas – para fazer, para colecionar, para jogar fora, para reaprender, para conhecer, para comer, para provar -, uma longa série de arquivos de metal com páginas e páginas de informações separadas em categorias tão diferentes quanto “Livros do Gabriel García Márquez” e “Filmes do Quentin Tarantino”, todos bons assuntos para ser debatidos, mas que, analisando no escopo total, formam o seu universo particular.

A grande questão é que cada um dos seres humanos viventes neste mundo, independente do quão inteligente ou estúpido, letrado ou iletrado, bondoso ou cruel, viajado ou recluso, tem um universo igualmente complexo e rico, tão cheio de coisas que jamais serão tangíveis nem na forma de palavras que seria necessário um número igual de universos reais para mostrá-las todas.

De alguma forma, forma essa que talvez alguém, além de Deus, claro, possa explicar, o espaço finito do nosso cérebro consegue se ligar a esse infinito único. E reforço que isso vale tanto para mim quanto para você quanto para o seu melhor amigo e por aquela garota que você se virou pra olhar uma vez porque tinha olhos castanhos belíssimos e só verá novamente, ainda que não a reconheça, duas horas antes da sua morte, envelhecida pelos anos, mas com o mesmo olhar.

Honestamente, acreditar que não existe algo muito maior do que a soma de todos nós que enredou essa teia com tamanha perfeição não é sequer prepotência, é pura ingenuidade – e pensar que não existem segredos da realidade muito diferentes da tecnologia e da medicina é cegueira.

[Rolling Stones – Sympathy for the Devil]

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Responses

  1. vejo uma conversa transformada em post? XD~


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