Publicado por: yumejin | segunda-feira, 17 dezembro 2007

Diálogos II

Personagens:
Adameto, Glauco, Sócrates

Cenário:
Atenas, Grécia clássica. Dois homens, Adameto e Glauco, estão conversando em uma rua enquanto se encaminham para uma festa. Ao longe, avistam Sócrates perdido em seus pensamentos.

Glauco – Adameto, olha lá quem vem!
Adameto – Onde?
Glauco – Ali, na nossa direção.
Adameto – É o Sócrates!
Glauco – É forçoso que seja. Quem mais estaria admirando a maneira como os tijolos formam desenho nenhum nas paredes da rua?
Adameto – Não sei, poderia ser um discípulo dele… ouvi dizer que o tal Platão é meio…
Glauco – Não fala do Platão que ele é meu irmão, Adameto!
Adameto – Já ia esquecendo, Glauco, vocês são diferentes, sabe? Mas quê que tem o Sócrates?
Glauco – Ué, a gente não vai convidá-lo pra festa, não, Adameto?
Adameto – Glauco… o Sócrates é legal com aquela história de maiêutica dele, mas você sabe que quando ele se empolga com um assunto, a gente passa a noite inteira acordado e não descobre que diabos é o Belo. Lembra do Banquete? E da discussão sobre a República, então?
Glauco – Ah, é verdade… ainda assim, acho que a gente devia falar com ele… o Platão pode ficar chateado…
Adameto – Tá bom… Sócrates, sábio entre os ignorantes!
Sócrates – Adameto, só sei que nada sei.
Adameto – Putz, não dá nem pra cumprimentar o homem e lá vem ele com esses aforismos… daqui a pouco ele solta outro…
Glauco – Sócrates, há quanto tempo!
Sócrates – É bem verdade, jovem Glauco, é bem verdade. Mandei notícias pelo seu irmão, mas, você sabe, ele acaba se distraindo, perdendo tempo escrevendo… já disse a ele que a única coisa que vai sobreviver a Esparta são as comédias do Aristófanes…
Glauco – Não diga uma coisa dessas, Sócrates…
Sócrates – Glauco, conhece-te a ti mesmo.
Glauco – Certamente.
Adameto – Falei…
Sócrates – Disse alguma coisa, Adameto?
Adameto – Não, é que lembrei que vamos a uma pequena celebração e pensamos em chamar sua pessoa.
Sócrates – Ora, mas que excelente ocasião para conversar com meus convivas!
Adameto – Conversar ou discursar?
Glauco – Então, você vem, Sócrates?
Sócrates – Ora, Glauco, não é o cavalo filho de um cavalo?
Glauco – Sim.
Sócrates – Então, tens aí a sua resposta. Mas, antes, gostaria de lhe propôr duas perguntas: ainda que os homens não possuíssem olhos, as estrelas seriam belas no céu?
Glauco – Bem, Sócrates, eu penso que sim…
Adameto – Pensa…
Sócrates – Então, as estrelas existem independentemente de observadores?
Glauco – Claro.
Adameto – Gente, a hora da festa tá passando…
Sócrates – E suas qualidades, também existem além da ação dos que as enxergam?
Glauco – É forçoso, Sócrates.
Adameto – Glauco, a festa…
Sócrates – Mas, antes de tudo, devemos definir essas qualidades: o que é o belo?
Adameto – Ah, pro inferno que te carregue, Glauco, tô indo pra festa…

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Responses

  1. […] ser honestos – Platão é um porre, um saco, um grego pedante que devia ser absolutamente insuportável em qualquer social que o pessoal da […]


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