Publicado por: - TCZ - | quarta-feira, 13 fevereiro 2008

“FREEDOM, FOR US ALL!¹”

O que é liberdade afinal?

Em nome do que diabos todos lutamos (e alguns) morremos? Será que realmente compreendemos essa palavra? Ou é mais um daqueles conceitos bonitos e indispensáveis que ouvimos por ai, nos discursos e nas grandes obras. Odes, guerras, elegias e poemas sobre a Liberdade mas nenhuma definição.

Talvez, aliás, certamente alguém quando ouve essa pergunta vai responder que Liberdade é fazer aquilo que der na telha quando der na telha. Não se deixar levar por qualquer regra, exceder os limites e ultrapassar as fronteiras de qualquer restrição conhecida, sendo assim verdadeiramente livre. Mas afinal será isso mesmo ser “verdadeiramente livre”?

Bem, vamos primeiro pensar nas situações que não somos livres, talvez ajudem a pensar melhor.

Quando por exemplo, alguém rouba alguma coisa. Essa pessoa, na melhor (e na ideal) das hipóteses será presa e pagará pelo que fez correto? É o que diz a lei. Bem, ai temos a restrição – ser preso, ou de maneira mais ampla, a restrição é a Lei.

Vamos além (sem nos importar se as leis são justas e tal): se alguém mata outro. Ele é punido também, mas dessa vez não só pela Lei humana que infringe, mas por outra, a Lei Natural que garante direito a vida a todos os seres humanos (garante mesmo? Existe mesmo uma Lei assim? QUem sabe outro dia discutimos isso…). Então o infrator esbarra em duas Leis dessa vez, uma “natural” e outra “artificial”. Se quisermos ir mais além ainda, podíamos dizer dos homens que desejam viver para sempre, que gostariam de voar com os pássaros etc…

Ok, esses exemplos foram tolos é verdade, foram os que primeiro passaram na minha cabeça, então vamos melhorar.

Um exemplo muito claro é quando aparece um indivíduo qualquer com um desejo que vai contra as regras sociais vigentes. Isso é muito normal, ainda mais nos ultimos tempos em que as Leis sociais tem enfraquecido diante do cidadão. São pessoas querendo consumir drogas, querendo casar com outro do mesmo sexo, querendo expressar seus sentimentos artísticos de forma não compreendida pela velha sociedade… os exemplos são muitos onde a “liberdade” do indivíduo é tolhida por aqueles que fazem as regras e detém o poder.

Será que agir simplesmente pela vontade interna é realmente ser livre? Ou na verdade é se sujeitar a mais um impedimento externo?

Vejamos assim: vou alí na parede e escrevo qualquer coisa, legível ou não, porquê “me deu na telha”. Expressei liberdade? Ou só fui guiado por um impulso bobo de “contrariar as regras”? E se eu caso com alguém do mesmo sexo que eu, estou sendo livre para expressar meu “estanho amor” ou estou na verdade sendo controlado por este mesmo amor? Se eu “enrolo um” e fumo, estou “libertando minha mente” ou estou na verdade me prendendo as Leis biológicas que regulam a dependência e o vício? Todas as tentativas de libertação (ou a maior parte delas) na verdade, se formos pensar bem, controladas por outras forças aprisionantes.

Mas e ai? Então estamos dentro duma espécie de “matrix”? Criamos para nós mesmos uma cadeia de regras artificiais inescapável?

Bem, quem disse que isso é uma prisão?

Porque, como vimos antes, as pessoas não são livres? Porque são limitadas por regras impostas a elas por outros correto? Sejam esses outros pessoas também ou “Leis Naturais”. Bem, e quando essas regras são impostas por si mesmo?

Digamos, que eu decida agora mesmo enquanto escrevo este post que enquanto escrevo irei morder meus lábios. E isto é uma ORDEM. Ai eu vou e os mordo. Alguém dirá que fui controlado ou tolhido de minha liberdade? Dirão sem dúvida que mordi “porque deu na telha” não é mesmo? Pois bem, está aí a única forma REAL de liberdade meus caros, auto imposição de regras.

Quando nós mesmos nos impomos regras, ai sim podemos expressar a verdadeira liberdade. Tomando cuidado de não sermos guiados por qualquer sentimento, vontade estranha a nossa, ou fator externo quando formulamos nossas auto-imposições, sem dúvida, essas auto imposições serão frutos da vontade pura que as originará, e assim, obedecendo-a (a vontade pura) somos plenamente livres quando formulamos as regras e quando as obedecemos.

As grades da prisão só são grades da prisão dependendo de como olhamos para elas

¹ – Rebellion in Dreamland, Gamma Ray, Land of the Free – 1995

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Responses

  1. conceituar liberdade é uma tarefa complicada, difícil, complicada E difícil.

    Prefiro aplaudir os discursos e a beleza das palavras, porque, no final, somos prisioneiros da própria liberdade. Eu acho.


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