Publicado por: yumejin | sábado, 14 junho 2008

Idiotice na Internet

Em primeiro lugar, desculpas. Passou-se quase um mês inteiro, mas é que eu estou um pouco enrolado com muitas coisas. Tenho certeza que todos entendem como é isso.

Continuando a partir de onde parei nos Pontos Negros da Internet, se os fóruns de discussão reúnem muitos babacas, que é o termo certo para quem gosta de provocar e incomodar pela diversão, também abrigam outros tantos que o fazem sem ser de propósito. Com o custo de produção de computadores de capacidade razoável em níveis aceitáveis para boa parte da população de países com economia desenvolvida, ou quase, e o acesso à banda larga cada vez mais difundido, acabou ocorrendo algo indesejável: a disseminação da idiotice na internet.

No mundo físico, temos o primeiro contato com a idiotice em seu ambiente mais propício: a escola. Embora soe inicialmente como uma contradição, vamos à escola para aprender e, como crianças, sabemos pouco sobre qualquer coisa que vá além de desenhos animados e apresentadoras infantis com músicas alucinógenas e roupas ínfimas. Logo, a turma se divide entre os que gostam de estudar e os que estão lá só porque os pais ameaçaram deixá-los sem ver os tais desenhos.

Ainda assim, é possível dividir essas crianças em dois grupos diferentes, menos intuitivos: os que têm aptidão para aprender e os que não têm, alguns casos especiais medianos à parte. Talvez seja um sectarismo, mas não deixa de ser aferível – até acontece espontaneamente, quando a professora diz à mamãe ou ao papai que “seu filho é um bom aluno, mas tem certas dificuldades com matemática/português/artes/tomar água no bebedouro sem se molhar todo/comer como gente”. Quarta, da esquerda para a direita, se alguém quiser saber…

O tempo passa e as crianças crescem… mas a esmagadora maioria não muda. Por ter afinidade com alguma área, nem que seja moer de pancada os coleguinhas, ignoram solenemente as outras em que tem que despender mais esforço que seus pares. Existem poucos que estudam para compensar isso, e alguns até conseguem, mas boa parte encontra obstáculos aparentemente intransponíveis.

Por isso mesmo, elas evitam conversar sobre esses assuntos. Aliás, acho que seria lícito dizer, inclusive, que as “panelinhas” são formadas baseadas nessas capacidades, uma pessoa complementando a outra, mas com pontos em comum o sufciente para que não haja um abismo completo entre elas.

Já pelos doze, treze anos, principalmente nos garotos, a necessidade primitiva do ser humano de se mostrar melhor do que o cara ao lado começa a se manifestar com verdadeira força. No início, a gente escolhe se mostrar como bom naquilo em que realmente se acha bom. Se eu corro que nem uma gazela, não vou participar da equipe de atletismo, e se sou incapaz de diferenciar um artrópode de um mirápode, não contem comigo na feira de biologia. Simples.

E é nesse maravilhoso e estupendo aspecto que a internet estragou tudo: os fóruns, e as listas de discussão com e-mails em menor escala, exigem que você escolha um nickname, um codinome através do qual ser reconhecido como usuário único. Yumejin é um que eu escolhi, incialmente não para mim, mas de que gostei, apesar de na maior parte dos fóruns usar o meu nome real.

Não é o caso geral. Acho que as famílias Black e Snape de Harry Potter sofrem um aumento diário maior do que a inflação mensal de Zimbábue… Isso para não falar em cópias múltiplas de Saurons e Uchiha Sasukes… Aliás, tá aí outra família que deve ser a terceira mais populosa da internet… Uchiha, vinda diretamente do mundo mágico de Naruto.

O codinome em si não importa. A questão é que eles servem como máscaras. O tão propalado anonimato da internet permite que as pessoas se arrisquem em campos em que não são verdadeiros especialistas a falarem como tais. Em termos matemáticos, no limite, quando tempo tende ao infinito, tudo tende a ser igual ao Orkut.

Se, em sua maioria, os babacas da internet são irritantes porque são inteligentes o suficiente para incomodar dentro das regras e com comentários insidiosos, os idiotas da internet causam ódio primordial porque têm o toque de Midas ao contrário: transformam em coisa mundana todo ouro em que tocam. Revestidos pelo manto da ignorância sobre suas identidades, opinam como se não houvesse amanhã, como uma metralhadora giratória de titica de passarinho. Apontada para a sua cara, diga-se de passagem.

Portanto, façamos um favor a todos nós e, não só no reino virtual, mas no físico também, só falemos daquilo sobre o qual temos um mínimo de conhecimento confiável. Se não soubermos sobre o assunto, fica acordado, ficaremos de boca fechada, comentando, no máximo, que algo parece mais crível do que outra coisa, e, depois, buscaremos, seja na Wikipedia, seja no Google, mais informações.

Esses dois posts resumem, de uma forma um pouco precária, o que penso sobre discussões na rede, mas tem um aspecto interessante, meio lateral, que gostaria de abordar com calma: o Fogo Amigo na Internet.

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Responses

  1. Sinceramente?

    Eu até gosto dos idiotas de internet, porque quando me irritam eu simplesmente desligo o computador e volto para o mundo real.

    O problema é que muitas, MUITAS vezes eu gostaria de poder, quando o mundo me irrita, desligar o mundo real e voltar para o computador.

    A impossibilidade de um atenua o meu problema com o outro. É uma questão de qual tomada eu desligo primeiro…

  2. […] a seqüência iniciada com Pontos Negros da Internet e continuada com Idiotice na Internet, este é o artigo que eu tinha em mente quando pensei nesse assunto. Pra falar a verdade, por mim, […]


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