Publicado por: - TCZ - | domingo, 24 agosto 2008

RE: “Do Brasil nas Olimpíadas”

Recentemente manifestaram-se aqui no Blog CONTRA a minha novela. Que eu deveria ao invés de publicá-la, publicar mais textos de opinião e tal. Pois bem, guiado pelo ultimo texto do manifestante em questão, decidi exercer minha opinião e ressaltar alguns pontos que, não me parecendo muito justos, mereciam um comentário crítico. Nada pessoal, apenas questões de opinião mesmo que afinal, por serem opiniões, não tem valor de verdade algum e não podem ser alvos de juízo. Apenas procurei analizar e “trazer à tona” (como nos diz o significado preciso e original da palavra “crítica”) alguns problemas que tornam essas ditas opiniões muito discrepantes com o que se verifica, apenas aplicando-se principios fundamentais do pensamento. (deixo bem claro antes de prosseguir que pessoalmente abomino a palavra “Discrepância”. Considero-a muito feia)

“ocupando a 26ª colocação. Logo atrás do Quênia [25º], da Geórgia [23º] e da Etiópia [22º], além de Eslováquia [20º] e Bielorrússia [15º]. Mas o importante é competir…

Ou será que não?”

Queria lembrar que todos estes países acima citados foram escolhas muito infelizes por parte do autor. Quênia e Etiópia possuem uma tradição no atletismo muito forte devido as suas condições naturais (terreno, clima e economia) e a de seus atletas e não são comparativo fiel para o Brasil, visto que sua posição acima da nossa no quadro de medalhas se deve unicamente aos velocistas.

Geórgia, Eslováquia e Bielorrussia herdam o programa esportivo desenvolvido durante os tempos de URSS, e assim sendo, possuem uma tradição esportiva (que inclusive privilegia principalmente provas potencialmente olímpicas) muito desenvolvida e forte, orientada ao ganho de medalhas quando na época do regime vermelho. Mais uma vez, não é uma comparação feliz. (não, apesar do que pode parecer, não tentei fazer no primeiro parêntese uma tentativa à menção honrosa de “maior encadeamento de palavras iniciadas pela letra ‘p'”)

“Não é possível que um país como o Brasil, que ficou em terceiro no Pan-Americano, figure em 26º do quadro de medalhas, sofrendo pra ganhar, a conta-gotas, medalhas que não sejam de bronze.”


Olhem só que curioso. Dos países acima mencionados na citação quantos participam do Pan-Americano? Nenhum? Pois é.

Mais curioso ainda: olhando o quadro geral de medalhas até o presente momento verificamos que, dos países que estão com colocação superior a do Brasil, apenas QUATRO são americanos (à saber, do mais próximo ao Brasil ao mais distante – Cuba, Canadá Jamaica e Estados Unidos)[update: três agora, Canadá Jamaica e Estados Unidos]. Extendendo um pouco a análise aos jogos Pan-americanos de 2007 podemos ver que possuíam apenas 42 delegações frente as 204 dos jogos olímpicos, 35 modalidades esportivas contra 28 dos jogos chineses.

Assim sendo, temos menos delegações, mais esportes e poucos adversários à altura do Brasil propiciando mais oportunidades brasileiras de pódio. Fica muito mais fácil se destacar quando não estão competindo países com tradição esportiva mais forte como por exemplo países europeus tais como França, Romênia e Alemanha ou asiáticos como a própria China. Portanto a comparação com o Pan-americano de 2007 não só é descabida como de certa maneira covarde e injusta para os atletas brasileiros.

“De que adianta ter uma delegação cada vez maior nos Jogos se o número de medalhas permanece quase inalterado, diminuindo ou aumentando em uma ou duas unidades?”

Bem, sempre aprendi nos bons círculos pedagógicos, tanto morais quanto “políticamente corretos” (há uma diferença sutil entre eles) que o “importante é competir”. O ideal olímpico não é a ostentação, mas sim a livre competição entre povos que momentaneamente participam da grande comunidade humana, despidos de classe social, religião, “raça” e crença.

“Ganhar medalhas” é muito bom, mas ver uma atleta de apenas 16 anos não ganhar medalha alguma, mas brilhar na maratona aquática (esporte que confesso ter descobrido apenas nestas olimpíadas) é melhor do que ter visto, por exemplo, onze marmanjos de amarelo pulando com uma moedona dourada no pescoço.

“o despreparo não foi apenas físico, mas psicológico. Quem ficou pra trás devido às pressões de ordem mental, quem perdeu porque não segurou a barra, porque não soube se portar numa final, precisa parar pra pensar e tentar melhorar.”

Despreparo psiológico? Discordo. Acredito que todas as grandes derrotas sofridas pela delegação brasileira, muito prejudicada pelo “monstro da expectativa”, foram simples falta de técnica, ponto. Eram todos atletas que apesar da pouca idade, estavam acostumados com competições de grande porte nos seus respectivos circuitos, muitas até mais importantes que os jogos olímpicos (outro mito comum que aparece de quatro em quatro anos é acreditar que os jogos são a competição MAIS IMPORTANTE do mundo em TODAS as modalidades. Bem, basta quem gosta de futebol dizer o que é mais importante, Copa ou Medalha de ouro…)

Acho que, nem foi a falta de técnica que faltou aos atletas brasileiros nesta olimpíada, mas o problema para mim foi mais um excesso: de expectativa. O “monstro da expectativa” transforma qualquer deslusão em desilusão muito facilmente. Deixa tudo mais decepcionante e fere muito mais aqueles que se dedicam a corresponder as expectativas do que aos que esperam alguma coisa. No final, todos perdem.

Vivemos num país em que, infelizmente, se dá mais importância ao esporte do que a quantidade de importância que o estado pode desprender ao mesmo. Esperamos mais do esporte do que investem no esporte. Isso acaba com o verdadeiro propósito dos jogos olímpicos.

O Esporte não precisa ter nem nunca terá função social. Assim como a arte, é uma área do desenvolvimento humano que independe de outras áreas no campo ideal. Não é porque depende de outras áreas fisicamente que devemos confundir tudo e acabar “caçando lebres com anzol”.

Portanto, saio satisfeito destes jogos olímpicos. Acredito que não é uma competição esportiva que mostrará efetivamente “qual é o país melhor” (até porque isso não existe) tampouco “que o meu país é um bom país” (pois basta nos lembrarmos dos casos dos supracitados Quênia e Etiópia para percebermos que uma melhor colocação no quadro de medalhas não garante um melhor IDH), portanto, não saio ofendido como muitos que estão por ai. Saio satisfeito pois a entidade para que mais torci (e sempre torço na maioria das vezes) acabou por brilhar: o Espetáculo.

E de mais a mais, eu prefiro a Copa do Mundo ; )

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Responses

  1. Estou espantado! Aterrorizado!
    Em resumo, meu mundo caiu!
    E eu achando que eu estava ligado nos esportes.
    Mas de toda a forma, tem pontos que eu não concordo inteiramente com você nem com o cara que usa a gata na foto. Mas ia ficar muito grande para um comentário. Quem sabe eu comento depois.
    E não, eu não morri…apenas fui coletar algumas cabeças de imortais

  2. Se eu postasse uma resposta, seria uma tréplica do tamanho de um post normal. O que geraria uma resposta sua também na medida de outro post. E assim em diante. Não me parece valer a pena uma série de posts-resposta, então fico por aqui. Apenas afirmo que tenho algo a dizer sobre cada um dos seus comentários.

  3. qualquer palavra que começa com “is” ou “consoante + is” fica feia porque parece errada, mas “discrepante” é ainda mais feio pelo “cre”. o “cre” enfeia palavras.


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