Publicado por: yumejin | sexta-feira, 29 agosto 2008

De Ara Abrahamian

Último post sobre as Olimpíadas de Pequim 2008 de minha parte, este é dedicado a um dos vilões dela: o competidor sueco Ara Abrahamian, da luta greco-romana.

Ara nasceu em 1975, na antiga União Soviética, no território da atual Armênia, mas aos 19 anos abandonou sua antiga pátria para defender as cores azul e amarela da Suécia. Tendo participado da final da luta greco-romana em Atenas 2004 e perdido, obtendo assim a prata, Abrahamian era considerado um dos favoritos para o ouro deste ano.

Contudo, o que o mundo viu pelas câmeras da capital chinesa foi um revoltado lutador que, tendo ficado em 3º lugar, deixou sua medalha de bronze no tatame [usa-se tatame também para esse esporte?], ignorando assim por completo o Espírito Olímpico. Foi punido de acordo, tendo sua 3ª posição removida por pertubar a cerimônia de premiação. Um mau exemplo, definitivamente.

Porém, essa não é da missa a metade.Ara foi desqualificado nas semi-finais de uma maneira no mínimo esquisita. Enfrentando o futuro campeão Andrea Minguzzi em uma luta equilibrada, o sueco havia recebido um ponto dos juízes durante o combate. Para surpresa dele e do treinador, no entanto, o ponto e a vitória foram para o italiano Andrea, sob o pretexto de que Ara esteve com sua mão na zona azul. Normalmente, isso não é o suficiente para uma penalidade. Pior ainda, o lutador italiano havia estado com quase seu corpo inteiro na zona azul um pouco antes!

Revoltados com o resultado, atleta e treinador reclamaram, mas o juiz fez pouco caso e os ignorou, ato que foi duramente criticado pelo Tribunal Arbitral do Esporte [TAS]. Além disso, o TAS requisitou que a Federação Internacional de Lutas Associadas [FILA] reformulasse suas regras até as próximas Olimpíadas. Isso, no entanto, não impediram duas conseqüências: o Comitê Olímpico Internacional decidiu que Ara seria banido para sempre dos Jogos Olímpicos, o que não fez diferença alguma para ele, que já havia declaro que ia abandonar o esporte depois da exibição de “arbitragem corrupta”, nas palavras do próprio.

Certamente, os atos de Ara Abrahamian durante a cerimônia de premiação mereceram punição por serem flagrantemente contra o tão propalado Ideal Olímpico. Suas motivações, é preciso reconhecer, eram legítimas e seu sentimento de injustiça falou mais alto naquele momento. Em que se pese tudo o que transcorreu, Ara “exagerou na dose”, como aquele que, ofendido, recorre à violência física. Um ato pouco louvável, mas justificável, ainda que apenas parcialmente.

O vilão, no final das contas, talvez fosse apenas um misto de vítima e rebelde. O brilho do espetáculo olímpico é que mais uma vez, no final das contas, fica mais fraco.

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