Publicado por: yumejin | sexta-feira, 3 outubro 2008

O Presidente Lula e Eu

Presidente Lula… acho que nunca antes na história da minha vida eu tinha usado esses termos juntos, um após o outro. Mas já fazem cinco anos e sete meses, aproximadamente, que ele está com aquela faixa verde e amarela, com diamantes e o escambau, então talvez seja justo chamá-lo dessa forma.

Recentemente, uma pesquisa [Datafolha ou Ibope? Há alguns meses, a confiabilidade de ambos os institutos, em especial o segundo, anda meio em baixa, então não é importante] indicou que a aprovação pessoal do presidente atingiu o patamar incrível, mas ainda assim crível, de 80%. Oitenta porcento dos entrevistados confiam, acreditam, gostam, escolha seu verbo, do nosso atual presidente, de sua postura, da sua pessoa.

A aprovação do chamado “governo Lula” está um tanto abaixo. A grande maioria [mais de 60%] o avalia como “Regular”. Apenas 8% diriam que ele é Ruim/Péssimo. E eu parei pra pensar “O que acho do presidente?”.

Acho que é uma boa idéia dividir a questão entre “Avaliação do Presidente Lula” e “Avaliação do Governo Lula”. Dissociar a pessoa do seu trabalho faz muito bem. Por exemplo, tenho um professor que é um completo babaca. Reconheço que é um gênio e faz o trabalho dele de forma excepcional, mas continua sendo um idiota irremediável. Em compensação, tive uma professora que era simpatia total, mas muito fraca em termos letivos e pedagógicos.

Deixando os arquétipos e clichês do gênero de lado, cheguei à conclusão que avaliaria o Governo Lula como “Regular”. A economia está estável [ou não? Depende da crise]. A inflação está controlada [por enquanto?]. O Bolsa-Família, apesar de ser assistencialismo, é uma parte da coisa que precisa ser feita. Claro, os resultados disso, para o bem e para o mal, só saberemos daqui uns anos, mas, por agora, acho que tá precisamente regular. Nossas Relações Internacionais também são regulares – lenientes com os excessos dos vizinhos, rigorosos com as posturas dos países desenvolvidos, oscilamos entre morder e assoprar, com resultados muito mais ou menos.

Há um tempo, eu talvez o avaliasse como péssimo. Mas o fato é que péssimo ele só seria [ou vai ser?] se a economia estivesse indo pro buraco e houvesse um surto comunista no país. A bem da verdade, olhando por um prisma utópico e ideal, ele é péssimo. Mas todos os governos da democracia brasileira [Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula] seriam péssimos se fossem observados através deste foco. Portanto, fica como “Regular” mesmo. Um conceito ‘C-‘, quase ‘D’, só não sendo porque o resto da turma também tirou a mesma nota e seria estranho reprovar todo mundo. Tem o Sarney com o ‘E’ dele, mas ele não conta…

E a avaliação do presidente? Essa é muito mais simples. É um “Péssimo” mesmo, sem desculpas. O governo precisa ser medido em paralelo aos anteriores, mas a pessoa pode ser avaliada [não julgada] por si própria. E o que o Presidente Lula me mostrou até hoje não passou de uma das piores figuras públicas que eu já vi, li ou escutei.

Não tem nem por onde começar, tamanha é a quantidade de vezes que eu me vi envergonhado por ele ser presidente do Brasil. Não, não vou bater na tecla do semi-analfabetismo. Conheço analfabetos completos que são exemplos de pessoas e dignidade. Também não vou falar do vício alcóolico do homem – é reprochável, mas não é o importante, ou ainda, não é o que se destaca.

O quê você pode dizer de um homem que começa um mês dizendo que a crise é problema dos EUA e termina comentando que é uma coisa “profunda e séria” e que alguns ajustes terão que ser feitos? Se fosse a primeira vez, poderiam dizer que ele errou nos cálculos. Mas é a centésima, pelo menos!

A atitude do presidente durante o mensalão foi emblemática. Defendeu enquanto pôde os amigos e, quando viu sua popularidade indo pro ralo, “pensando na História”, como diria Dirceu, sacrificou-os para se manter com a imagem limpa. “Sacrificou-os”, aliás, já que, por trás dos panos, no escurinho da coxia, ele continua se consultando com Genuíno e companhia, seus velhos amigos. Não é de se estranhar, convenhamos… você conhece uma pessoa há 40 anos e vai deixar de falar com ela assim, da noite pro dia? A-hã…

E a lenga-lenga da “herança maldita”? Ah, sim, a “herança maldita” do governo maligno do Fernando Henrique… até parece. Ele ganhou de presente uma economia mais sólida do que deveria estar, ainda que endividada, mas com condições para pagamento. O Ministro da Fazendo do Lula só precisava não fazer m****. Aliás, numa nota lateral, o Palocci é o exemplo que eu dei de separar o trabalho da pessoa. Como ministro da Fazenda, o homem era sólido. Como pessoa, não valia o almoço que comia.

Posso ficar nisso aqui até amanhã… as frases impensadas, os discursos para o público, o preconceito imaginário, as “elites burguesas querendo desestabilizar o primeiro governo operário”, o “nunca antes na história desse país”, a “autonomia em petróleo”, a amizade com Chávez e Moralles…

É que não tem Escabroso como avaliação. Caso contrário, minha resposta seria “Escabroso—“.

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Responses

  1. Você sabe que não discuto política, sobretudo COM VOCÊ, mas se por um lado você me condena por isso, por outro te condeno por esse “defeito de reclamista, subespécie – intelectualóide”.

    Lembra do lance da “opinião adiquirida”? Tem a o.a. burra e a o.a. intelectual e muitas vezes seu discurso tem muitos elementos da segunda (o meu também… isso não é uma acusação, é uma alfinetada =D)

    Encerro dizendo que eu acho que você devia escrever um post sobre a reforma ortográfica/gramatical. Queria ler sua opinião.

  2. Em palavras simples: elabore seus argumentos. Que elementos dessa opinião adquirida intelectual meu discurso tem? Que “defeito de reclamista, subespécie – intelectualóide” é esse? Só jogar ao léu não me presta.

    Explica mais que eu entenderei melhor. Por agora, parece ser só você chiando mesmo.

  3. Como o meu irmão A-DO-RA as minhas analogias então vou mandar uma…o meu irmão foi tão doce quanto o brigadeiro que eu fiz aqui em casa (som de bateria: para pum pum).
    Enfim, essa discussão apareceu aqui em nossa casa na terça(eu acho). Eu falei que eu avaliaria o governo Lula como Regular. Talvez daria C+…acho que não reprovaria, porém só seria aprovado na prova final.
    Quanto ao Lula…o Hugo é bruto quando trata de uma pessoa que não gosta…Não vou defender o Lula, pois não gosto dele, mas não usaria as palavras que ele usou (reprochável…”Tá com o livrinho aí?”). Apesar do meu sangue subir vez em quando, quando consigo manter tudo no lugar eu sempre lembro de uma frase de João Saldanha: “Não bato em quem não pode se defender”.
    Comentário muuuuuuuuuuito longo

  4. Eu acho que o Lula até tenta fazer a coisa certa, o ruim é que o coitado é rodeado de aproveitadores, e como presidente não faz tudo, ele precisa dos ministérios, acaba fodendo tudo de vez.
    Mas ja tiveram presidentes piores, Brasil no final das contas nunca vai deixar de ser Brasil.

  5. Eu aumentaria a nota do governo se ele fosse melhor estruturado, se os ministérios não fossem entregues por acordos políticos, se a administração da Petrobrás fosse eficiente, se o PAC não fosse uma jogada eleitoreira e sim um plano de melhoria, se o REUNI não fosse executado desta forma, se a infraestrutura rodoviária fosse melhorada e ampliada, se não houvesse tanto acobertamento de erros, se não tivesse tanta Medida Provisória…

    E quanto a não bater em quem não pode se defender: eu concordo com isso na questão particular. Enquanto homem público, as críticas são válidas, penso eu. Por isso, deixei de fora pontos como possível quedinha por álcool.

    ===

    Não gosto dessa expressão, “coitado”. Depois de quase seis anos, será possível que ele não se tocou quem são os aproveitadores? Ou ele não discernimento suficiente para separar o joio do trigo? Não tendo, não deveria ser presidente, exatamente por ter que delegar várias tarefas a pessoas que devem ser de confiança.

    Eu tenho certa simpatia pelo Fernando Henrique, mas não o defenderia, simplesmente porque não vivi a situação com total ciência do que ocorria. Eu lembro de um caso ou outro, mas não acompanhava com afinco como hoje. Então, não saberia dizer se o Brasil teve presidente piores ou não. Possivelmente, mas não afirmaria com convicção.

  6. não acredito no Guenos Maldito. principalmente na presidencia do Brasil.


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