Publicado por: yumejin | quinta-feira, 9 outubro 2008

De Fernando Gabeira

Eu sou um vagabundo. Se há uma verdade que possa ser aplicada desde 26 de agosto de 1988 até o dia de hoje e possivelmente até muitas décadas daqui é esta. Certas coisas dependem imensamente da força de vontade de se movimentar e embora eu já tenha tudo planejado, falta-me o poder para evitar o Kongregate ou a Wikipedia. Só pensando agora, tenho pelo menos uma dezena de posts prontos para escrever. Quatro sobre eleições, um de um par incompleto, dois sobre livros, dois sobre a faculdade, um sobre pessoas em geral. Muitos outros já foram obliterados pela minha mente na sucessão de idéias não executadas. É a minha condição humana – a preguiça de mente não me acomete jamais, mas a de corpo…

O parágrafo inicial nada tem a ver com o texto em si, mas serve de explicação para a intermitência na freqüência com que escrevo. Nunca é por falta de assunto ou de vontade, mas por falta de tempo, gerado pela minha capacidade tendendo ao infinito de me distrair com coisas que muito pouco tem relevância. Bem, ao assunto principal, então.

===

Embora não tenha nascido na cidade do Rio de Janeiro e nem a ache essa maravilha toda que muitas pessoas fazem questão de afirmar que é a cada, não sei, cinco segundos, tenho vivido nela mais tempo do que na minha cidade natal, então pareceu-me lógico prestar atenção especial às eleições municipais deste ano. Ao contrário da maioria das competições do gênero que eu já havia visto, nesta muitos candidatos se apresentaram e pelo menos quatro tinham alguma possibilidade, pelo menos no início, de se tornarem prefeito do Rio de Janeiro: Eduardo Paes, Fernando Gabeira, Jandira Feghali e Marcelo Crivella. Todos eram políticos razoavelmente conhecidos no estado e me vi pensando o que achava de cada um. Como diz o título, hoje escrevo o que penso do segundo deles, Fernando Gabeira.

Não consigo me lembrar exatamente da primeira vez em que ouvi falar no nome do Gabeira. Se eu tivesse que arriscar, seria em meados do primeiro governo do Fernando Henrique ou talvez no início do segundo. Se minha vida dependesse dessa informação, eu estaria lascado. De uma forma ou de outra, minhas primeiras memórias são de falarem dele como uma espécie de hippie velho, alguém que vivia de acordo com idéias até simpáticas, mas não de pessoas de todo normal.

Eu sabia que ele fazia parte de um tal Partido Verde, o PV, e, pelo menos dessa vez, o nome da legenda revelava bastante sobre seu intuito enquanto político. Quando vi o homem pela primeira vez, num jornal, numa revista, na tevê, num panfleto, também não lembro, tive ainda mais simpatia. Parecia o tipo de pessoa com fala mansa, que escuta o que você diz, mas que tem suas próprias idéias que provavelmente não o ofenderão.

Fernando Gabeira só foi reaparecer nas notícias que eu lia como alvo de duras manifestações. Aparentemente, era fato conhecido que o homem usava maconha como recreativo, mas a partir de um determinado momento, ele passara a defender sua legalização. Outro dos seus projetos polêmicos era a regulamentação do aborto.

Qualquer um que me conheça sabe que isso vai diretamente contra minhas idéias. Em ambos os casos, minha opinião é bem rígida e mesmo após ler vários artigos, contra ou a favor, continuo pensando que legalização e regulamentação, para um e para outro, são opções ruins.

No escândalo do Mensalão, que parece ter sido esquecido da memória do mundo, e do mensalinho, cujo principal participante foi o então presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti [“Ninguém conhece Severino Cavalcanti/Nunca fui muito importante/Mas agora vai mudar…”], Gabeira teve uma atuação digna de se levantar contra uma pessoa claramente incapaz de conduzir os trabalhos de uma das casas do Congresso.

Apesar das minhas discordâncias em relação às idéias do homem, confiei no político e votei nele como Deputado Federal em 2006. Aliás, foi o único político que eu elegi até hoje… todos os outros foram derrotados nas urnas.

Em 2008, por fim, ele se tornou candidato a prefeito do Rio. E, em uma única frase, conseguiu me convencer de que não seria uma coisa maluca, um ímpeto repentino pra, quem sabe, conseguir 2 ou 3% no final. “Não haverá distribuição de cargos entre os aliados”. Exatamente a primeira coisa que eu diria [e faria] se fosse candidato a um cargo do executivo e fosse eleito.

Suas propostas, enquanto prefeito, vão de encontro às minhas e sua visão parece mais lúcida do que antes. Seus pontos negativos, caso da maconha e do aborto, não são tão relevantes assim para esta eleição, pensei comigo. A razão era que, embora talvez servisse para dar mais visibilidade à discussão, enquanto prefeito, Gabeira não poderia aprovar qualquer tipo de projeto de lei nesse intuito. Ele não parece querer fazer isso, de qualquer forma.

Ele não é o candidato ideal. Provavelmente, têm alguns defeitos. Porém, suas qualidades, sua ideologia, sua fidelidade ao ideal do seu partido, sua postura e suas falas são coerentes com o que se espera de um político. Verdade, tem a foto de tanguinha que circula pela internet, mas, como diz meu irmão, “eram os anos setenta”. Se pudesse escolher onde votar, excepcionalmente para esta eleição, teria transferido meu título para o Rio. Como não posso, espero que, ao menos, os cariocas dêem uma chance para uma mudança numa cidade e num estado onde cada novo governo ou piora a situação ou a mantém como está.

Anúncios

Responses

  1. Legal que se você notar o Gabeira segurou a onda da maconha e das veadagens para se eleger prefeito.

    O cara era uma bicha velha e maconheira, mas agora é um senhor respeitável, prefeitável da cidade do Rio de Janeiro. \o/

    Não que eu ache isso ruim, acho muito bom e votaria nele se votasse no Rio, e ele ainda tem a favor dele aquele dito popular, dos “inimigos dos meus inimigos”…

    Anyway. Você é o senhor politizado e eu já sabia quem era Gabeira bem na época do Collor. Ser criado numa casa altamente politizada tem suas DESvantagens. Por isso eu me mantenho afastado desse “mundinho mágico”, já tive o bastante.

  2. Bem, se você sabia quem era o Gabeira aos 4 anos de idade não sendo nem do Rio de Janeiro, devia ter então um caderninho com todos os políticos relevantes do Brasil…

    Só fui descobrir política aos… não sei… 6 anos, quando disse pra minha mãe votar no Marcelo Alencar. Primeira memória de eleição, aliás.

  3. […] Eduardo Paes Tendo falado de Fernando Gabeira, acho que seria interessante detalhar minha visão sobre seu oponente no 2º Turno das Eleições […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: