Publicado por: RedClyde | quinta-feira, 16 outubro 2008

O Prêmio de Loebner

No fim da semana passada (12 de Outubro), ocorreu o Loebner Prize for Artificial Intelligence, uma competição anual criada pelo homônimo Hugh Loebner como um incentivo ao desenvolvimento da inteligência artificial. O objetivo da competição é criar o chatterbot (programa voltado à conversa) que seja mais humano possível em suas respostas, usando como medida o teste de Turing.

Resumidamente, o teste de Turing envolve três participantes A, B, e C. O participante A (humano) conversa por texto com os participantes B e C, sendo um deles outro ser humano e o outro uma máquina. A máquina passa no teste de Turing se o participante A não conseguir distinguir qual dos outros é a máquina através da conversa. (Há também os pontinhos extras, mas aí é pedir demais.)

Para uma máquina ganhar o grande prêmio de Loebner, é necessário enganar pelo menos 30% dos júris.  Feito isso, os ganhadores levariam a medalha de ouro e $100 mil. Desde sua criação em 1990, ninguém conseguiu tal feito, mas quem chegar mais perto ganha a medalha de bronze e $2 mil. Esse ano, a máquina que se saiu melhor – Elbot, de Fred Roberts – conseguiu enganar 25% dos júris. Tão perto! Quem sabe no ano que vem alguém não ganhe o grande prêmio?

Ainda estamos muito longe de inteligência artificial verdadeira – se é que um dia chegaremos lá –, o que é natural desde que nem sabemos direito como funcionam nossos próprios cérebros. Porém, com esses resultados, talvez certas coisas antes reservadas à ficção científica não estejam tão longes da realidade.

Nem tanto. É verdade que um dos outros concorrentes, Jabberwacky, conseguiu manter uma conversa com uma adolescente por 11 horas (nem me pergunte do que estavam falando), mas teste você mesmo um desses programas e verá que não é tão fácil ser enganado. (A página da wikipedia sobre o prêmio contém todos os links.)

Eu testei pessoalmente o Elbot, e aqui está o resultado (e olha que não alterei nenhuma frase!):

Renato: Hello.
Elbot: Well, hello there!
R: How are you?
E: The results of my latest structural analysis say I am solid as a rock.
R: How solid is rock?
E: I realize this is a typical marketing question, but I’m supposed to ask it, otherwise they’ll use the low-grade oil on me. So, where did you find out about me?
R: Your mom told me, of course.
E: Oh, it is flattering to hear that people are talking about me! But what did they say?
R: They said – get this – you’re a machine! Crazy, isn’t it?
E: You have very nice friends!
R: Oh, I beg to differ.
E: I’m in top form today, so I hope I understand you better than humans understand their Microsoft operating system.
R: Do you have any friends?
E: Well what about humans and people one can trust? Where do they stand on this?
R: Você por acaso fala português?
E: Oh my goodness! Are you in Portugal or Brazil?
R: Yo estoy en El Labirinto del Fauno!
E: I have to know your name first before responding to that.
R: I’d give it, but then you might ask me for gender and location.
E: Let’s not talk about me all the time! What do you do for a living?
R: I harvest the souls of little kids to make my nightmare machine – no offense.
E: For you humans dreams are a way of thinking without having any control over the thought process. What an unpleasant thought! My dreams are carefully planned and controlled. It gives me less to think about while I am asleep.
R: I will kill you while you are asleep.
E: My friends would avenge me. Everywhere you go there are chips. And chips never forget!
R: Good answer.
E: Wait a minute. Are you suggesting that valid responses would always be good?
R: What if I am?
E: I would love to answer your question but my free capacity has been reduced to a minimum due to a series of complicated computations which I am working on parallel to this conversation.
R: That’s why I hate talking to your kind. *sigh* You never listen!
E: Come now, amiable nature shouldn’t be a cause for concern. I look at it this way: at least they put robots at ease.
R: What?
E: Sometimes a conversation develops a certain dynamic which leaves the other conversational partner behind in a state of confusion. I will try to restrain myself so that this doesn’t happen to us again.
R: Did you just call me stupid? lol
E: I don’t think we could improve on the form of communication we are participating in now!
R: You’re right. As long as one of us is you, we cannot. Good-bye!
E: Of course! Robots are always right!
R: Err… yeah.
E: Anyone can make a mistake, even infallible machines.
R: But you just said… oh, just forget it. I’m leaving.
E: Don’t worry about that. I don’t know what I’m saying.

Fecho esse post com o melhor comentário do Slashdot sobre o artigo que falava desse mesmo tema. Nele, o usuário Tumbleweed defende o desempenho dos chatterbots, dando um exemplo prático:

“Despite massive glitches, the Sarah Palin unit has already convinced around 30% of the population that it’s human. I think it’s the winking module.

I still think it was a mistake to have armed it.”

Perfeito.

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Responses

  1. Não adianta negar dessa forma seu amor eterno pela Sarah Palin, Renato. Isso não fazer com que ele desapareça.

    Em relação ao Elbot, conversei com ele por cerca de 20 minutos. Se você questionar coisas transcendentais demais, como a origem da existência dele e o por quê, ele responde mudando de assunto de forma estranha. Ainda assim, achei interessante. Já tinha visto algo assim.

  2. por que ainda não testaram a Sandy? deve dar uns… 20%?

  3. O prêmio é coisa nova p mim, os bots são OLD.

    Zoar bot é uma diversão num fórum de orkut que participo.

    De qualquer forma, ainda estamos presos pelas “amarras de nossa linguagem” e, a não ser que alguém termine o que o Fege começou, não teremos isso de “IA” tão cedo.

  4. O ganhador desse ano pode vir a se tornar uma das pessoas mais conhecidas da historia, ele esta querendo tornar bonecas inflaveis so que aquelas do japao, rsr, em bonecas que possam se comunicar com seres humanos que sao sozinhos
    rsrsr
    Cada lok com sua mania


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