Publicado por: yumejin | sábado, 18 outubro 2008

Das Eleições Petropolitanas

Embora eu tenha votado pela primeira vez apenas no famigerado Referendo das armas, estou envolvido com a política há mais de metade da minha vida. Verdade é que entre a minha visão atual e a inicial existe um grande abismo e acredito mesmo que essa análise da arte da política evoluirá a cada eleição, a cada cenário, mesmo porque as conjunções mudam de 2 em 2 anos.

Depois que descobri que minha cidade, Petrópolis, era considerada com grande colégio eleitoral, com mais de 200.000 eleitores e, portanto, membro do seleto grupo de menos de uma centena de municípios com direito a 2º turno, fiquei impressionado com o baixo nível de nossos candidatos a prefeito. Em quem votar, afinal?

No 1º turno das eleições petropolitanas, cinco escolhas de prefeitáveis se apresentavam diante do eleitor:

  • Ester Mendonça, representante do PSOL, uma total desconhecida e sem o preparo necessário para o cargo, mas que ainda assim logrou obter 6.016 votos [3,55% dos votos válidos].
  • Nelson Sabrá, do PRB, filho do falecido ex-prefeito Jamil Sabrá, novamente recebendo uma percentagem nem marginal nem significativa dos votos, 8,44% [14.290].
  • Marcos Novaes, do PHS, cria de Roberto Jefferson, lástima da cidade, conseguindo 26.419 eleitores através de sua lábia [15,60% dos válidos].
  • Ronaldo Medeiros, do PSB, com 52.986 e 31,29% dos votos.
  • Paulo Mustrangi, do PT, com 69.644 e 41,12%.

Como eu disse, Petrópolis é grande o suficiente para ter segundo turno, logo Paulo Mustrangi e Ronaldo Medeiros estão ainda disputando pelos próximos quatro anos despachando no Palácio Sérgio Fadel, nome dado em homenagem a um ex-prefeito.

De 2001 a 2008, o ocupante, Rubens Bomtempo, só gerou vergonha para quem entendia o que acontecia na cidade. Com seu projeto de reformar o Centro Histórico, despendeu somas incríveis, no sentido de inacreditáveis, em asfaltamento e iluminação. Suas medidas nas áreas de Saúde e Educação foram inexistentes e muitas pessoas afirmam, com todas as letras, que o homem é dependente químico de cocaína. Com essa história pregressa, o bom prefeito resolveu emplacar um sucessor: Medeiros.

Contudo, Ronaldo Medeiros é, como Eduardo Paes, um nada, só que pior ainda, porque ele realmente nada fez de notório na vida. Nasceu, eu diria. O mais chocante em sua campanha é a fartura. Não há uma rua na cidade em que não haja duas, três placas com seu rosto, seu número, 40, e a imagem de seu vice, “Cacau” Rattes, filho de outro ex-prefeito com uma reputação nada invejável. Cabos eleitorais espalham santinhos por todos os bairros e balançam bandeiras. Dizem as más línguas que candidatos a vereador, incluindo o eleito Dudu, de índole das piores, estariam por trás do financiamento não-lícito da bonança.

Acontece que todos os seus partidários davam como certa a eleição em primeiro turno. Como os números nas urnas mostraram, nem o primeiro lugar foi assegurado. Em recente debate na Universidade Católica de Petrópolis, Ronaldo Medeiros utilizou toda a sua oratória para tentar convencer os presentes. Acontece que essa oratória é fictícia e a impressão que ficou foi a de uma marionete de interesses empresariais. Tendo vendido calças, camisa, alma, corpo, casa, mãe e o cachorro para custear a campanha, uma derrota muito provavelmente significaria ostracismo e o sofrimento de represálias duríssimas.

Do outro lado da refrega, temos Paulo Mustrangi, conhecido do eleitor petropolitano e posando de garoto Colgate nas placas das ruas. Mustrangi só não é o pior candidato na eleição porque assim como no Campeonato Brasileiro tem muito time lutando para ser rebaixado, em Petrópolis, tem muita gente que proporciona vergonha – a disputa entre quem é mais sujo, Medeiros ou Novaes, é dura e eu nem saberia apontar o vencedor com certeza.

Por isso, com dupla insatisfação, por estar votando em alguém que não é confiável e por estar votando de forma “útil”, acabei me decidindo por apoiá-lo nesse 2º Turno. É como escolher entre o professor péssimo ou o pior ainda – é uma escolha de Sofia e o resultado é quase o mesmo: amargos quatro anos de má administração municipal, diferenciando-se apenas pelos beneficiários e por pequena margem de ruindade.

===

Eu já ia me esquecendo que nas eleições existe sempre a opção de votar nulo ou em branco, tema exatamente do post escrito pelo -TCZ- há uns dias atrás. No caso de Petrópolis, o número de votos brancos e nulos somados atingiu aproximadamente 27.000 votos, ficando, portanto, como terceira opção de preferência dos habitantes da cidade.

De fato, não são poucas as pessoas que conheço que decidiram tornar seus votos nulos. Cabe aqui uma observação, um mea culpa: pelo que dá a entender a contagem dos votos no site do Terra, os votos brancos valem a mesma coisa que os nulos, ou seja, nada. Não entram na contagem dos votos válidos, embora eu sinceramente acreditasse que não fosse assim…

Portanto, neste 2º turno de opções torpes, o eleitor pretopolitano pode, sim, escolher não votar em Ronaldo Medeiros ou em Paulo Mustrangi. Contudo, isso significa que ele está outorgando o direito à escolha aos seus pares, para o bem ou para o mal. Como sou defensor de postura política ativa, não consigo me permitir simplesmente lavar as mãos, fechar os olhos e torcer para que os outros façam a melhor escolha. Vou votar no Paulo Mustrangi, mesmo com todos os porém, porque a soma dos contras que conheço dele [não existe soma de prós] é menor do que a de Medeiros. Peço aos “anuladores” que considerem esta possibilidade.

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Responses

  1. Votarei no Medeiros, quero ter a sensação de votar em quem ganhou.

    =)

  2. Não tenho tanta certeza de que o Medeiros ganhará essas eleições, não…

  3. Saco, era pra dizer MUSTRANGI.

    Sério. Tudo com eme fica foda…

  4. Gostei muito do post. Fiz exatamente a mesma coisa naquelas eleições. Agora, penso que talvez o tal do Novaes fosse menos pior… Será? De toda forma, como você com muita sabedoria escreveu: a “ruindade” marginal é praticamente insignificante.
    Petrópolis é apenas o reflexo do Brasil e quiçá do mundo. Como um incerto alguém me disse, os políticos não vêm de Marte ou de Vênus. São nossos vizinhos, amigos,primos, tios, pais… Nos resta somente gritar para extravar essa amargura; e no momento em que as escolhas mais fáceis nos cercarem, saber decidir pelas mais difíceis. In the meanwhile, nos atemos aos berros.
    Gostei do blog! Bom saber que existem pessoas normais em minha cidade.

    Abraços


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