Publicado por: yumejin | sexta-feira, 24 outubro 2008

Da real política brasileira

Depois de uma seqüência de posts relacionados a política, iniciando com Gabeira, seguindo com Eduardo Paes e chegando nas Eleições Petropolitanas, termino a série com uma teoria política, sobre a verdadeira relação entre os políticos brasileiros [e talvez do mundo, quem sabe?].

Quando a gente está na escola, lá pela 5ª ou 6ª série, eu acho, aprendemos que a política mundial, de um modo amplo, se divide em duas vertentes, capitalismo e comunismo, com uma ampla gama de vertentes. Mais especificamente, os comunistas, englobando aí socialistas, marxista, trotskistas, maoístas e sei-lá-mais-o-que-istas, são “de esquerda”, os conservados, incluindo boa parte dos capitalistas, “são de direita”. Isso é ainda mais reforçado quando os professores de História e de Geografia reforçam a tese de que “direita = opressores = má” e “esquerda = revolução = boa”.

A questão que proponho é a seguinte: isso é real? Ou ainda, será que isso foi real e não é mais?

Há que se analisar os antecedentes, claro, pois que tudo na história nada mais é que conseqüência de causas por vezes muito antigas e até esquecidas. A 2ª Guerra Mundial foi produto de influências políticas do final do século XIX e até antes. A máfia se fortaleceu nos Estados Unidos porque a Lei Seca entrou em vigor e houve grande repressão a seus outros negócios.

Pensemos nos nossos professores de História e de Geografia. A maioria era criança ou adolescente quando do Golpe de 64, quando os militares tomaram o governo e transformaram o país. O Brasil voltava a ser uma ditadura, menos de 2 décadas do final da anterior, de Getúlio Vargas. As liberdades individuais eram mais uma vez sacrificadas em prol de um pensamento coletivo. Mas a ditadura e suas motivações não são o foco deste artigo.

Crescendo nesse ambiente e provando do pior do conservadorismo, da direita, do capitalismo e tendo como ídolos guerrilheiros e terroristas que lutavam contra uma opressão realmente incômoda, é muito lógico entender por quê a maior parte dos professores dessa área sejam adeptos das teorias socialistas e/ou comunistas e por quê tenham muitas críticas [válidas] à ditadura militar e muitas desculpas para Lênin, Stalin, Mao e Fidel.

Logo, voluntariamente ou não, somos doutrinados nas escolas a dividir a política entre esquerda [vermelha] e direita [sem cor definida… azul ou verde, eu diria]. Exaltam a educação e a saúde do povo cubano e se esquecem da falta de liberdades individuais e da inexistência do direito de ir e vir [a ditadura da esquerda]. Criticam o capitalismo repetidamente, mas nasceram e foram criados dessa forma e não sabem viver de outra. Consomem naturalmente.

O número de legendas relevantes do Brasil é bem grande em comparação com outros países. Existem quatro partidos maiores, DEM, PMDB, PT e PSDB, e vários intermediários bem conhecidos [PCdoB, PDT, PP, PR, PSB, PSC, PSOL, PTB, PV]. Até mesmo alguns menores [PAN, PCO, PSDC, PSTU] são lembrados ocasionalmente. Em comparação, nos Estados Unidos, Republicanos e Democratas são gigantescos e os Verdes são lembrados só muito raramente.

Em contraposição flagrante, o espectro político verdadeiro do país é muito estreito, quase uma linha reta. Percebam que o PSDB, que é identificado como direita, leva no nome Social-Democracia, que aliás era o nome por que era conhecido o Nazismo na Alemanha! O que talvez indique que muita gente no mundo usa o termo socialismo sem muito compromisso com sua origem.

Ninguém no Brasil é verdadeiramente de direita. Sâo poucos os políticos conservadores e rigorosamente adeptos de doutrinas de “ordem por autoridade”. Ninguém no Brasil é verdadeiramente esquerda. PSTU e PCO querem implantar uma “ditadura do proletariado”, que nada mais é do que um fanatismo muito longe do ideal comunista. PSOL é quase isso, embora um pouco mais sensato, e talvez seja o único partido que possa receber esse título.

Olhando de forma objetiva, quase todos são Centro. São centristas porque não seguem uma ideologia, mas interesses pessoais e/ou partidários. PSDB e PT se tornaram quase irmãos, adeptos de qualquer estratégia para vencer. PP e DEM têm origem igual no ARENA, do regime militar, e embora o PP seja mais herdeiro deste do que o antigo PFL, nenhum tem qualquer pretensão de reviver a década de 70.

O PMDB, então, é o caso mais notável deste centrismo brasileiro. Sua condição amorfa, em que políticos de qualquer tipo se filiam, e sua completa falta de sentido de unicidade partidária mostram que a sigla, cujo nome é Partido do Movimento Democrático Brasileiro, pouco ou nada herdou do antigo MDB, rival do ARENA.

Assim, direita e esquerda são conceitos inadequados para a política atual. São arcaísmos que deveriam estar em desuso, mas que sobrevivem porque os analistas e articulistas viveram anos em que eles talvez fizessem algum sentido, embora eu tenha a crença de que são construtos ideológicos para facilitar ataques a adversários.

No Brasil, só existe situação e oposição. Quando seus rivais estão no governo, você é oposição. Quando você ganhas as eleições, é situação. Simples assim. O PMDB sempre é situação, aliás, já que faz acordos sempre com quem ganha.

A conseqüência é que a política brasileira é baseada em algo pueril: se seus amigos estão no governo, faça qualquer coisa para ajudá-los. Se forem seus rivais, faça qualquer coisa para prejudicá-los. Acabou. Resume-se a isso 20 anos de democracia.

Mesmo que um projeto do governo seja interessante para a população ou necessário para os trabalhos do Estado, a oposição fará de tudo para comprar os mercenários da casa de forma a vetar projetos ou distorcê-los. De forma parecida, a situação sempre loteará cargos, secretarias, centrais sindicais e o que for para ganhar apoio e fazer o que quiser.

A cada dia, somos bombardeados com declarações de líderes de bancadas no Senado e na Câmara falando que o adversário é populista, o adversário é elitista, o adversário governa pra poucos, o adversário beneficia os amigos… Não existe ideologia que os guie. São tão somente os interesses pessoais e o das pessoas próximas. O Ministro das Cidades não precisa saber nada sobre sua pasta. A Ministra do Turismo pode ser uma péssima gestora. O Secretário do Meio-Ambiente pode ser um grande pecuarista. Não faz diferença. A única coisa que vale é a influência, a visibilidade na mídia e o número de cargos comissionados.

É sujo e é errado, mas é o estado atual da política brasileira. Às vésperas do 2º turno, é fácil ver que pouco ou nada mudou. É possível mudar tudo? Sim, claro. Vai acontecer? Não sei, talvez, mas isso é assunto para outro post.

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