Publicado por: yumejin | quarta-feira, 31 dezembro 2008

Da mudança de ares

Dezembro e janeiro, em conjunto com fevereiro e julho para algumas pessoas, são os meses sabáticos, por assim dizer. Assim como o domingo, servem para que nos recuperemos de nossa jornada de trabalhos e nos preparemos para o ano vindouro. À medida que avançamos em direção ao mundo adulto, esse espaço diminui [exceção bendita é a faculdade, que é a última janela de grandes férias que aqueles que não estagiam possuem] até se transformar nos sagrados quinze dias de descanso dos trabalhadores.

Entre as incarnações mais comuns das férias, uma muito utilizada, principalmente em família ou com amigos entre quinze e vinte e tantos anos é a mudança de ambiente. Viajar é algo que apraz quase todo mundo e pode ser desde passar uns dias na casa da avó até visitar as maravilhas do Camboja ou de Paris. O que importa verdadeiramente é a diferença entre o normal e a terra do descanso.

À primeira vista, simplesmente conhecer novos lugares poderia ser feito através de um computador conectado à internet ou de filmes e documentários na televisão. Isto é parcialmente verdadeiro, já que a visão que teríamos deste outro mundo seria limitado por vontades alheias às nossas. Assim, “conhecemos” as savanas africanas, as ruínas incas e maias, o ambiente nova-iorquino, a vastidão da Sibéria ou do Saara.

Conhecer novas pessoas pode ser realizado na própria cidade, desconsiderando excepcionais casos de você ser um Spider de Filhos de Anasi ou morar em um município com menos do que, digamos, duas mil pessoas, onde o número de desconhecidos tende a zero pela esquerda. Mesmo nas cidades mais envoltas em si mesmo, como Petrópolis e Niterói, sempre existe algum elo solto, alguém cujo contato é distante o suficiente [“ele é filho da prima da Lurdes, aquela amiga da sua avó, não lembra dele?”] para que seja considerado um estranho.

Então, novas experiências podem explicar em parte, mas não completamente, a necessidade de ir para ares diferentes. A verdade é que precisamos de uma quebra com o nosso eu normal. Estar na praia quando se mora nas montanhas ou ir para a roça quando se vive em apartamentos provoca um choque de idéias e vivências e somente através destes conflitos que a evolução é possível.

Mesmo o mais retraído, que passa o tempo todo lendo ou enfurnado em casa, absorve algo de diferente quando viaja, nem que seja o ambiente da rodoviária ou do aeroporto. O real esforço deveria ser no sentido de que cada vez fosse algo novo para que você não estagne.

Então, se você acredita que suas férias estão sendo desperdiçadas, ainda resta um mês inteiro, o começo de um novo ano, para procurar alguma forma de reinventar, não daquela forma clichê dos romances de auto-ajuda, mas de maneira simples. Aceite que o fórum/blog/casa não vai definhar caso você esteja um final de semana afastado [mas vai cobrar uma certa corrida até se atualizar] e procure se abrigar na casa de um amigo ou combinar uma visita rápida ao Sul ou ao Norte, quem sabe? Eu sei que estou praticando isso agora.

PS: Estou viajando, então talvez perca algum dia de postagem. Tentei programar tudo, mas não sei se consegui [ainda estou no dia 28 e esse é o primeiro da fila].

Escutando: Mosca na Sopa – Raul Seixas

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Responses

  1. Mudança de ares é para quem não tem o que fazer em casa. >.>

    É extremamente difícil uma viagem ‘valer a pena’ para mim – no sentido de eu me divertir mais na viagem do que me divertiria se tivesse ficado em casa. Dois motivos principais: 1) De maneira geral, até hoje, só fiz viagens com família, e família é chata; 2) Sempre tenho um milhão de coisas para fazer em casa, e nunca tempo suficiente para fazê-lo.

    Acho que uma viagem com meus amigos seria legal, se fosse a um lugar que não fosse dominado pela natureza, ou praia. -_-

  2. Quando você ler uma milhão de coisas para fazer em casa, entenda como um milhão de coisas no computador e no video game…nada ligado ao relacionamento inter-pessoal.
    Ou seja, as viagens do Renato se resumem as grandes cidades?
    Adios

  3. Pode ser pequenas cidades, também. XD

    E não, não é só computador/video game. Eu leio, também. E escrevo. Ah não, escrever é no Word. Bem, eu leio. >.>


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