Publicado por: - TCZ - | quinta-feira, 1 janeiro 2009

“Reboot”

Na verdade, eu não costumo comemorar data alguma. Sei lá, é uma coisa minha, de não deixar me imporem qualquer data que seja. Não acho muito interessante uma data determinada me “forçar” a sentir certas coisas, tanto que costumo fugir até mesmo do meu aniversário. Bem, outra vez escrevo sobre isso porque o assunto hoje, como não pode deixar de ser (olha ai as datas me forçando) é o Ano Novo que dentre todas essas datas aparece como exceção Sempre, desde bem pequeno sempre comemorei Ano Novo.

Ano novo para mim faz parte dum conjunto de datas comemorativas que eu sempre observei com carinho desde a minha mais tenra idade, são datas que pelo menos aqui em casa eu sempre cuidei de guardar com muito zelo e comemorar junto com a minha mãe de um modo muito especial e que eram em três: Ano Novo ou Reveião, Natal e Carnaval. Para mim não tinha datas melhores e eu esperava por elas, de certa forma, bem mais do que eu esperava pelo meu próprio aniversário.

O problema é que, como vocês puderam bem notar eu acredito, as datas não exatamente uniformes dentro do conjunto. Ano Novo e Natal ainda vai, porque pertencem ao mesmo período do ano, tem festa e comida etc etc… mas Carnaval além de ser muito longe no calendário relativamente falando (ou é no início do ano ou é só no ano que vem) é mais de um dia e o objetivo é totalmente diferente: no Ano Novo e no Natal você fica com a Família e com os Amigos para comemorar a passagem de ano, o Nascimento de Cristo… no Carnaval você pode até ficar com os Amigos, mas para fazer coisas que dificilmente faria junto com a Família “if u know what i mean” (Claro, depende de quão liberal a sua Família é…)

Pois é, datas diferentes pra caramba, mas pra mim na época eram datas pra se fazer a mesma coisa: primeiro não ir à aula, porque tudo se comemora nas férias escolares, mas era MAIS especial, porquê tudo fechava mais cedo e minha mãe não trabalhava, então era como se fossem “domingos extras” na minha vida. Depois, era excepcional essas datas porque elas me permitiam fazer uma coisa que crianças normalmente não podiam. Tá certo que na minha casa nunca se proibiu muita coisa, e o que eu fazia nessas datas podia fazer todo dia desde que não desse trabalho depois pra minha mãe, mas esses dias eram ESPECIAIS porque eu podia fazer isso JUNTO com a minha mãe ou com a Família inteira quando a gente ia passar na casa de qualquer uma das minhas (tias)Avós… DORMIR TARDE ou até mesmo VIRAR A NOITE ACORDADO!!!

Vocês não lembram, mas quando se é criança, ter uma permissão, um motivo OFICIAL pra ficar acordado ou virar a noite é espetacular! É como ser um pouco adulto, ou como se o recreio no colégio fosse prorrogado por mais vinte, trinta minutos e você acaba ficando sem saber direito como aproveitar. É como o feriado inexplicavelmente estendido, daqueles que são na terça e por mistérios da meia noite que voam longe que você nunca não sabe nunca se vão se ficam quem vai quem foi resolvem estender até a sexta feira e matar toda a semana de uma vez, ou então como quando aquele professor CHATÉRRIMO não vai e te deixa sem saber o que fazer com aquele período vago, porque você não tem nenhuma prova perto e seus amigos todos estão em outras aulas… era mágico poder ficar acordado até mais tarde ou mesmo não dormir, só dormir de manhã e ficar integrado numa atividade qualquer junto com a sua família.

No Carnaval era assistir aos desfiles, que embora até me interessassem, valia mais por ficar acordado com a minha mãe, comendo pipoca e acompanhando a passagem das escolas, numa época que os ganhadores não eram arranjados e os desfiles menos clichês e mais bonitos (e consequentemente, numa época que eu era muito mais inocente). No natal, depois da ceia quando muitos iam dormir, eu ficava acordado para ver a Missa do Galo. Na verdade, para ver mesmo foi só a primeira vez depois eu vi que era algo chato demais e só valia pra ver o Papa (que na minha infância era o João Paulo II – A missão) que eu sempre achei uma figurinha muito divertida. Eu ficava mesmo pra ficar acordado! E ver o que passaria no corujão ou em outros canais (uma vez que Missa do Galo só na Globo), e o bom disso é que ninguém questionava esse meu motivo “nobre e religioso” pra me privar de sono. Era visto com bons olhos e tudo :D

E no Ano Novo a graça era ficar acordado, contar com todo mundo na contagem “oficial” da Globo, assistir ao fiasco anual do “Show da Virada” (que aliás me chocou quando descobri que não era ao vivo =/), assistir a queima de fogos PELA TV (claro porque eu vi UMA VEZ na praia pra nunca mais… muito barulhento e fumacento e muitagentejuntento) beliscar uma cidra aqui e ali e ficar bêbadozinho com meus primos e FICAR ACORDADO! Mas no Ano Novo sempre tinha uma coisa diferente…

Eu lembro de no dia primeiro, num desses primeiros anos novos que passei, ter ido com minha mãe à pracinha que frequentava com os amigos pra brincar um pouco… e ao ver aquelas ruas vaziiiiiiiiias com quase ninguém na praça eu experimentei o significado que o ano novo tem: renovação. Para mim era como se de noite, enquanto dormia (porque evidentemente em todas essas datas era extremamente RARO que ficasse acordado TODO O TEMPO: ou me cansava de ficar acordado e entediado por não fazer nada, ou cansado por fazer algo) todo o mundo tivesse sido criado de novo do nada, tudo era novo e eu era o mesmo. Era como um verdadeiro recomeço, como se as ruas, as casas e as pessoas fossem outras. Como uma nova temporada de um seriado, daquelas que muda o cenário, a abertura etc. Isso aumentava mais ainda quando em idade escolar tinha que comprar material escolar, e imaginar quem estaria ou não na minha turma etc.

Era uma sensação mágica que foi se perdendo com o passar dos anos. Em parte porque eu agora sei porque acontece com muita gente esse sentimento de renovação e quando você descobre o truque a mágica perde a graça e em parte porque transferi esse significado para algo, que para mim, é mais poderoso e possui mais valor. Mas sem dúvida, se tem muitas coisas, sensações, de que sinto saudade (não falta, veja bem) de quando eu era mais jovem, uma dessas coisas era essa ilusão de um dia de que um mundo novo foi construído só para mim, como um brinquedo novo que você ganha quando acorda pela manhã e encontra aos pés da sua cama.

Talvez eu sinta falta disso, mas certamente ainda tenho essa certeza, de que o Ano Novo para mim é como meu presente de Natal um pouco atrasado, mas que chega tinindo de novo e cheio de possibilidades.

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Responses

  1. E qual é o truque de mágica?
    Reboot…essa palavra é famosa, porém eu nunca ouvi o discurso dela…acho que o primeiro discurso não foi sobre isso…ou foi?
    Pois é…o Show da Virada…eu nunca descobri realmente que ele era gravado. Eu explico. Com o passar do tempo eu achava ele cada vez mais frio e mais chato até que eu passei simplesmente a ignorá-lo. Mas teve uma vez (a poucos anos) que o Zeca Pagodinho deu um Feliz Natal no meio do show. Foi legal.
    Quanto ao carnaval…eu gosto de assistir algumas vezes, mas tem uma escola que eu gosto muito. Viradouro. Mas não é pela escola. É pelo carnavalista. Paulo Barros. Ele sempre faz uma coisa legal. Ele é o que fez os carros vivos. Eu lembro do Einstein na Unidos da Tijuca, o jogos de carta, a brincadeira de onde está o Wally. Eu sugiro que você assita o carnaval olhando o que ele faz para os outros. Ele andou meio ressentido com o mundo, pois sempre fez um carnaval bem divertido que a população reconhecia (pesquisa da Globo TV e do jornal e entre os meus amigos que assistiram), mas que nunca era “reconhecida” pela comissão julgadora. Ele já até prometeu ficar “igual” aos demais, mas ele ainda não o fez. Eu acho que ele ainda está na Viradouro. Eu recomendo para mudar um pouco.

  2. Isso vai soar muuuito imbecil mas me identifiquei demais, fazia as mesmas coisas com a minha mãe e os significados eram parecidos… nossa… eu lembro da minha mãe rindo e dizendo “nao vou aguentar ver a ultima escola… desisto, vamos deitar e acordar tarde” era a redenção, dava uma alegria sabe? nossa é difícil ter essa sensação (pelo menos pra mim)…

  3. O Paulo Barros me fazia nao dormir bem mais cedo, valia a pena ver desfiles dele…

    e as tags foram ótimas hehehehehe

  4. ano novo pra mim é um grande whatever.
    só uma data pra ter um pretexto de beber pra caralho e fazer festa.
    mas eu sempre fico depre, pq começa janeiro e ainda vai demorar muuuito pro ano acabar ;/

  5. talvez todas essas datas sejam ainda muito boas pra mim porque minha familia é grande, louca e os meus primos tem mais ou menos a mesma idade que eu. quando criança é bom porque você fica até tarde brincando e agora é bom porque todo mundo fala as mesmas besteiras… e claro, como em toda familia grande, o lance mesmo era a comida. e ainda é, é muito bom.
    você sabe disso, tudo aqui é motivo para fazer churrasco e comer a beça xD

    por isso nunca tive essas sensações de natal se comemorar o aniversário de Jesus ou ano-novo como renovação…
    se bem que eu sempre odiei reveillon e carnaval… eu era uma criança muito medrosa (e ainda sou, fazer o que), e só de pensar nos dois eu tremia =x

    e valeu… agora to com a musica do Zé Ramalho na cabeça ¬¬”

  6. Mari Mascheroni Was Here.

    //Mari Mascheroni

  7. Belo texto cara, acho que essa saudade bate em muitos de nós nesta época do ano e como vc disse não é uam falta, algo que queriamso de volta, não, é simpelsmente a lembrança de algo bom que marcou e ponto.Isso vale pra mim quanto ao natal e ao ano novo. Ao carnaval não se aplica no meu caso por dois motivos: 1-carnaval sempre foi desculpa para brincar o dia inteiro e se fantasiar e sair a noite, mesmo com os pais, quando chegava tava morto de + pra assisitir desfile. 2- Sempre torcia pro império serrano, e ele vivia ocilando entre especial e acesso muitas veses via o desfile do dia anterior.
    Bom é isso, abraços

  8. O SHOW DA VIRADA NÃO É AO VIVO!?

    *BUM*

  9. eu nunca gostei de desfile de carnaval, e quando moleque o sono batia rápido demais pra querer esticar a noite. eu não lembro de alguma vez ter ligado pra essas datas, na verdade… me parecia tudo muito forçado, tudo muito ritual, o tipo de coisa com o qual eu não tenho paciência de me relacionar. reveillon e natal pra mim eram legais só quando meus primos iam na minha casa. brincar depois da meia-noite pela rua mesmo, sem grandes preocupações era muito bom. pena que isso rolou poucas vezes, meus primos moravam muito longe, e meus pais gostava de passar essas festas na casa de uma outra tia minha. onde só tinham primas. muito mais velhas que eu. =/

  10. “e imaginar quem estaria ou não na minha turma”

    Meu Deus, eu tinha me esquecido disso… olhar as listas no início das aulas e procurar o nome, torcendo pra estar na turma dos amigos [mas a maligna diretoria sempre buscava separar os grupos]. Bom lembrar disso.

    E eu adorava assistir ao desfile de Carnaval com a minha mãe e com o meu irmão, que sempre agüentava mais do que nós. Eu sempre dormia na quarta escola, porque em geral o Salgueiro desfila como 3º ou 4º, heh. A gente tinha até uma aposta de Carnaval, que começou sendo de R$ 1,00 ou 1 Talento [que na época custava um real… não essa versão mini, a versão real, grande, 16 quadrados].

    Eu nunca tive muita paixão pelo Ano Novo. Do Natal, eu gostava de ver as luzes e encontrar minha família. E dos presentes. De todas as festas, a que eu gostava mais era o meu aniversário, pela oportunidade de ter meus amigos reunidos. Sooooo fun.


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