Publicado por: - TCZ - | domingo, 11 janeiro 2009

Me leva

Hoje estou aqui para falar de alguém que eu adimiro muito e que é, na minha opinião, A personalidade mas culina quando falamos de música no Brasil. Ok, pode ter sido, e foi, exagero essa caixa alta, mas com certeza ele é um dos melhores do país, e um dos maiores do mundo sim porque não, quando falamos de produção musical. Está anos na mídia e nunca deram o valor merecido para esse profissional, espero corrigir um pouco que seja disso com essa pequena elegia. Estou falando de Roberto de Souza Rocha, o Latino.

Aposto que quando leram o que leram antes do “Leia mais” os meus leitores se dividiram em partes muito previsíveis: tiveram aqueles que se perguntaram onde tava a graça da piada, os que ficaram imaginando onde estaria o “pulo do gato” do texto esperando possivelmente um escrito mais irônico, outros pensaram que enlouqueci ou tecerei outra teoria maluca e todos certamente se apressaram em atacar o Latino, pois opinião aceita hoje e ontem é de que Latino é sinônimo de coisa ruim. Pois bem, sinto dizer que de certa maneira todos estão certos e errados ao mesmo tempo – apesar sim do trecho inicial conter um pledge de minha parte e de achar também o Latino muito ruim, também reconheço o contrário disso, de que o senhor Roberto é um gênio musical incompreendido e que temos evidências para considerá-lo como tal, à revelia de todos esses juízos apressados e senso comum sobre o cara.

“Ah, agora eu quero ver você explicar essa lambança toda!” Alguns certamente pensaram. Pois bem, explico.

Esse cidadão, que resolveu se autodenominar Latino encarnando assim o estereótipo de tudo que odiamos que pensem que somos enquanto latinos, apareceu na mídia e para mim também nos agora distantes idos da década de noventa, se apresentando em Faustões e Domingo Legais da vida com seu HIT, “Me Leva”, e com seu uniforme de paquita, com escovas sobre os ombros e bigodinho de menino pobre imberbe, alguém lembra?

Pois bem, esse mesmo cara depois de seu “boom” ficou (graças a Deus para muitos) sumido das luzes por um bom tempo. Quase ninguém ouvia falar dele até que surgiu na mídia outro fenômeno de vendas, uma menina interessante que surgiu explorando a fatia de mídia que ia de menininhas meio acerebradas querendo um ídolo a la Britney Spears para adorar, mas que cantasse numa lingua que desse mais para acompanhar a velhos babões que adoram ninfetinhas e ficaram exultantes com a nova novidade. Sim senhores, Queli Chave ou como mais conhecida, Kelly Key.

Kelly Key foi um fenômeno musical que vendeu HORRORES apesar de sua música horrorosa, foi um vendaval que varreu o Brasil por meses e que grudou como um chiclete ruim suas músicas em nossas mentes, dormíamos e acordávamos ouvindo o ressoar de coisas como “Baba Baby” nas paredes de nossas cabeças. Key tornou-se quase automaticamente idolo e presença frequente nos mesmos Faustões e Domingo Legais que acolheram seu mestre e mentor anos antes. Sim! Porque Key nada mais é que fruto das maquinações e estratégias de venda de Latino, que enquanto longe da mídia treinou sua consorte e Padawan Kelly para dominar a mídia e os corações dos brasileiros. Porém foi traído e deixado à míngua pela garota que, com a mente turva por conta da fama resolveu que era hora de alçar seu próprio voo. Será mesmo?

Graças ao alcance que Kelly obteve (e que logo depois de se livrar de Latino caiu num ostracismo digno de nota nas colunas sociais da história) Latino percebeu que poderia voltar a mídia, que as pessoas não precisam de conteúdo, mas de uma presença forte, um personagem bom em que pudessem depositar seus desejos de consumo e para por no topo de sua cadeia adoratória. Assim Latino mais uma vez surgiu com suas versões para músicas conhecidas e abandonadas na gringa que o público nacional conhecia de forma quase subliminar, conhecendo sem conhecer de verdade. Usando isso Latino nos infernizou com “Festa no Apê” que aos moldes de “Me Leva” dominou as paradas nacionais, apenas dessa vez abandonando um pouco o Miami Beat e utilizando-se de novas tendências como a Party Music e o Funk Carioca (também fruto do Miami Beat).

Então, até hoje, o personagem Latino ainda está por ai, lançando sucesso atrás de sucesso, na boca do povo, sendo uma das personalidades do meio “artístico” mais influentes e comentadas pelo populacho. E ai, qual o pledge disso tudo afinal? Simples, Latino conseguiu sustentar sua fama e seu sucesso de uma forma que poucos “artistas” do mesmo escalão conseguiram. E mesmo depois de cair voltou de forma triunfal muito mais forte que antes. Latino é o Stallone da música nacional, pois com uma boa produção e um bom trabalho atrás das cortinas consegue emular perfeitamente um bom material, maquiando conteúdo e formatos gastos e ruins, vendendo horrores e se popularizando de tal forma que gera identificação instantânea com as camadas mais baixas da pirâmide social – que são a base real de popularidade que pode manter um profissional no topo eternamente.

Latino, com seu personagem forjado direto do imaginário popular de como o verdadeiro homem latino deve ser: sacana, sensual e popular entre as mulheres (ou alguém consegue se esquecer das histórias que o próprio divulga sobre seu desempenho na cama?) dominou no passado e domina a cena musical nacional e faz com que nos perguntemos realmente o que mais vale na mesma: talento ou know how?

É muito fácil ser o Milton Nascimento, porque quando se tem talento, não precisa se ter muito trabalho para brilhar. Pessoas como Latino, que sem talento algum no que fazem, exceto nos trâmites por detrás das câmeras, dominam multidões e se fazem passar por ícones musicais quando na verdade são gênios mercadológicos é que são dignos de nota na minha opinião como exemplos de superação e capacidade de gerência pessoal e mestres da divina faculdade de Fazer dinheiro.

É isso ai minha gente, um “Oh Baby Me Leva” pra vocês \o

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Responses

  1. Como eu comentei com você, sempre fui da opinião de que o Latino é um excelente profissional. Músicas péssimas, mas um excelente profissional.

    Assisti por um acaso a entrevista dele no GNT e achei bastante interessante. O Latino é quase completamente aquilo que ele mostra. Segundo o próprio, é como se na cabeça dele tivessem duas pessoas, o Roberto e o Latino, que são de fato iguais, mas pensam de forma diferente.

    O Roberto é o empresário, que só não gosta de cálculos [não os básicos, ele explicou, mas do tipo “esse CD vai vender x para a fatia de mercado y de forma a conquistar z percentual de não sei mais o quê”], mas que trata dos assuntos profissionais. O Latino é o Roberto produto de si mesmo.

    Ou seja, o homi é ruim, mas é bom.


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