Publicado por: yumejin | quinta-feira, 15 janeiro 2009

Do conhecimento fugidio

Existe uma máxima que diz que nada está parado, o mundo está constantemente vibrando, em movimento. “Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia”, sabe? Isso é verdadeiro para o mundo físico, para os sentimentos, para as idéias e, por fim, para a nossa sabedoria.

Tenho um amigo que diz que você deve sempre estudar e aprimorar seus conhecimentos, porque “se você não tá melhorando, você não está parado; você tá decaindo. Então, se não tá pesquisando sobre um assunto, saiba que você está regredindo”. Acredito que isso seja verdade e, pensando no assunto, cheguei a uma velha discussão.

O homem tem ou não uma capacidade ilimitada de aprendizado? Em tese, temos a capacidade de aprender a cada dia novas coisas e, simultaneamente, reter as antigas informações, mesmo que seja à custa de um treinamento diária. Mas será que isso é verdadeiro?

Volte dez anos no tempo. Lembra do que era importante pra você naqueles tempos? Quais eram seus melhores amigos e suas esperanças para o futuro? Aposto que sim. Agora, qual é o telefone daquele amigo da época com quem você deixou de conversar? Talvez você se lembre. O que acontecia na política brasileira naquele mês em específico? Danou-se, né?

A partir desse exemplo trivial, podemos chegar a duas possíveis conclusões: primeira, nossas experiências recentes se sobrepõem às mais antigas [ou nem sempre, já que você e eu lembramos de fatos da época pré-alfabetização e não sabemos o que comemos há exatos dois meses] numa espécie de reciclagem; segunda, os eventos mais antigos vão se desbotando, por assim dizer, e ficam cada vez de serem resgatados.

A diferença é que, no primeiro caso, perdemos lembranças em troca de outras. No segundo, apenas não conseguimos acessá-la [talvez um leitor de mentes possa fazê-lo]. O grande abismo é que, se as informações se perdem para sempre, então a existência se torna mais tênue ainda, posto que o passado pode ser deturpado pela falta de memória e mesmo os sentimentos que tivemos, o amor pelos amigos e pelos entes que se foram, para citar o mais poderoso de todos, pode passar para a não-existência e, por príncipio lógico, simplesmente não ter lugar no Universo, onde as coisas são.

Sem entrar na excelente discussão sobre o passado, pensemos em tudo o que sabemos neste instante. As coisas que se aprendem no colégio e na faculdade, as lições do trabalho, o que é lido em revistas, jornais, sites e blogs… é uma quantidade de informações desproporcional ao tamanho do dia. Será que lembramos mesmo de tudo?

E quando deixamos de praticar alguma seção de conhecimento, indo de algo sério, como uma linguagem [real, fictícia ou de programação], até o banal, como o nome e a ordem precisa de todos os Pokémons, não é cruel que, gradativa e inexoravelmente, tudo se esvai?

O conhecimento, portanto, é fugidido. Independente de termos um espaço ilimitado ou limitado de armazenamento, é inegável que perdemos a capacidade de tratar de certos assuntos com o passar do tempo. Então, que saibamos manter o que importa porque tudo muda e o que não avança, retrai.

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Responses

  1. É uma observação pouco importante, dado que eu acho que entendi bem o que você quis dizer, mas acho que você deveria trocar a palavra “conhecimento” por “lembranças” ou “memória”. Se você não concordar de cara com isso, diz aí e eu posto uma explicação depois; é que eu estou com uma certa preguiça de escrever agora ;P


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