Publicado por: yumejin | domingo, 18 janeiro 2009

De Israel, Palestina, Hamas e Faixa de Gaza

A sombra da guerra eterna voltou a lançar incômodo no mundo, justo às vésperas da posse do presidente quase messiânico que todos aguardam com expectativas as mais variadas, mas nunca pequenas. Ele disse que não deseja se pronunciar porque não há dois presidentes ao mesmo tempo [menos no Brasil, mas isso é uma curiosidade que fica pra outra hora]. De qualquer forma, não poderá fugir de um posicionamento no dia 20.

Dos assuntos que me interessam, economia e política, nacional e global, são quase a mesma coisa quando se trata do conflito árabes contra judeus no Oriente Médio. O pedaço da Terra mais disputado é um marco de religiões, povos e, a bem da verdade, da raça humana. Nesta nova Intifada, como diz o Hamas, quem é o mocinho e quem é o vilão?

A resposta para a pergunta é muito fácil: não existem mocinhos nesta guerra. E isto, paradoxalmente, é a coisa mais difícil para alguns compreenderem. Os culpados estão em ambos os lados e não somente em um deles.

Tenho lido muitos textos, artigos, reportagens e comentários sobre o conflito que se iniciou no final do ano passado. Procuro todos os lados para que, idealmente, minha opinião não seja viciada, embora eu acredite que isso seja impossível.

A primeira coisa que tenho notado é que muitas pessoas acusam Israel de uma reação desproporcional. Agora, honestamente, que raio de argumento é esse? Reação desproporcional? Por favor, alguém me ensine o quê é uma reação proporcional. É matar o mesmo número de conterrâneos que foram mortos? O dobro? Na mesma ordem de grandeza? Na mesma faixa etária?

Israel é um gigante bélico. Sua economia é movimentada por fatores análogos aos japoneses: com uma terra de recursos naturais limitados, a tecnlogia supre as necessidades com inovações que colocam Israel lá na frente da fila dos investimentos em industrialização e agricultura. Por isso, sua marinha, seu exército e sua aeronáutica são muito bem equipados e treinados.

Aliás, isso é mais do que lógico. Quando se está literalmente cercado por pessoas que não gostam de você, o mais natural é procurar se fortalecer para qualquer ocasião.

Um cessar fogo de seis meses foi interrompido por acusações de quebra de trégua por ambos os lados. De acordo com este artigo da Wikipedia, esse cessar fogo era para inglês ver. Vários mísseis saíam de Gaza para Israel e o estado israelense matou vários militantes palestinos em suas terras. Então, o Hamas, que governa a Faixa de Gaza, enquanto o Fatah controla a Cisjordânia, decidiu lançar um ataque total a seu inimigo. Lançou vários mísseis de curto alcance, matando algumas pessoas.

A grande questão é: o que é que o Hamas esperava que Israel fizesse? Aceitasse isso? Ou contra-atacasse? E, em contra-atacando, esperava que fosse só com metade da força? É claro que eles aproveitaram a oportunidade para tentar acabar com um inimigo de anos!

Recebo quase todo dia um e-mail me falando de como o massacre sionista em Gaza é desumano e de como os governos e os povos do mundo deveriam se manifestar contrariamente. Eu concordo que Israel deveria planejar melhor seus ataques, que existe uma parcela de motivação eleitoral por trás dessa movimentação. Mas, por favor, parem pra pensar! O Hamas se esconde entre os civis, assim como Hezbollah o faz no Líbano. Como Israel vai atacar sem matar o povo que vive na região?

O número de mortos poderia ser menor? Claro que poderia. Mas eu não consigo reprovar da forma que vejo muitos fazendo as ações israelitas. Aquilo é uma guerra, não um confronto civil. Não estou jogando a culpa toda nos palestinos, mas foram eles que elegeram a maioria parlamentar do Hamas. Foram eles que escolheram esse governo de terroristas covardes, de homens-bomba suicidas. Não podia ter resultado diferente.

Se querem se manifestar, sejam contra ambos os lados, Hamas e Israel. Não defendam o mais fraco por causa dos civis porque seus governantes também têm sangue nas mãos. Israel versus Irã, que é a verdadeira guerra da região, representa uma das piores facetas do mundo e não é justo que se credite todo o mal para um lado apenas e inocente-se o outro porque “lutam por seu direito de existir”. Israel também o tem.

Existe uma solução para esse conflito? Sim, mais de uma na verdade. Uma ou duas bombas atômicas, por exemplo. Ou um exército global matando todos que vejam pela frente até que não sobre mais ninguém. Sim, são péssimas soluções, nunca disse que eram boas.

A solução real é o diálogo, mas como conversar com pessoas fanáticas que vivem mandando seus próprios filhos explodirem em praças, ruas e prédios cheios de inocentes? Como fazer um acordo com homens que enriquecem às custas da explosão de colégios e hospitais da ONU, da casa de refugiados? Não sei, honestamente.

Parando pra pensar, existe um exemplo de ação semelhante na história do nosso país. Na época imperial, Brasil x Paraguai. Solano López queria criar o Grande Paraguai, tomando partes da Argentina e do Brasil. Sabe o que Dom Pedro II fez? Mandou seus melhores generais [como o Duque de Caxias e o Almirante Tamandaré] e dizimou a população paraguaia. Até hoje, isso é usado como argumento contra o nosso país, como no caso de Itaipu. Nós fomos uma espécie de Israel e eles, Gaza. Nossa ação foi justificada? Tão justificada quando é possível dentro de uma guerra.

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Responses

  1. Primeiro que ao contrário de você não acho interessante comentar sobre o formato do texto, mas se o fizesse eu diria que não gostei: parágrafos muito pequenos e palavras muito complicadas dentro de frases com palavras simples. Parece que o “Caboclo Saramago” ainda não saiu dai (é, eu li o “Ensaio” e sei daonde você pegou essa doença – a “rebuscagem escrevetiva”)

    Ao assunto agora.

    Primeiro que você foi, ao meu ver, totalmente parcial pois ao tentar ser imparcial acabou usando palavras mais duras para falar dos Palestinos tomando inclusive posições pessoais em relação a eles. Isso não se faz nesse tipo de texto, mas vá lá, também não obedeço regras quando escrevo não tenho o direito de cobrar de ninguém.

    Eu acho que comentar sobre esse tipo de situação é muita burrice, mas não estou te chamando de burro. Explico: acho que esse tipo de situação doméstica jamais deve se tornar global porque acredito sinceramente que a universalidade não é universal, então a esse conflito em particular petencem uma série de pormenores que nunca serão de pleno acesso a nós, portanto analizar nunca seria mais que um simples palpitar sobre esse tipo de coisa.

    Mas encerrando, eu acho que você deveria pensar menos com o lado DIREITO do cérebro e sair um pouco das asas do Tio Baden Powell quando for falar dos “terroristas covardes” e pensar melhor até mesmo nessas duas palavras. Se um dia você fizer isso e decidir raciocinadamente MESMO por mantê-las terei o maior prazer em debater contigo sobre, mas por ora acho que você foi precipitado nesse juízo PESSOAL sobre ; ) O Terror nem sempre está do lado de fora e o inimigo nem sempre é outra pessoa.

  2. xD

  3. analiSar! Com S!!!!!!!!!!

  4. De trás pra frente:

    beta, o -TCZ- escreve de acordo com o português anterior ao da Reforma Ortográfica de 1943. A alma dele é velha, sabe?

    Miocard, xD pra você também.

    -TCZ-, o caboclo Saramago nunca vai me deixar por completo, como o caboclo Gabriel García e o caboclo Machado de Assis. E o José de Alencar e o Graciliano Ramos e o Jorge Luiz Borges e o de todos os escritores que li porque acaba que eu pego um mínimo que seja, mesmo uma palavra, de cada um e é o que eu acho que acontece com todo mundo que se mete a escrever. E os parágrafos pequenos é vício de redação desde a 5ª série. Em geral, costumo juntar parágrafos quando vou publicar o post aqui.

    Eu nunca tentei ser imparcial. Eu quero que minha opinião não seja viciada e que ela tenha uma boa base. Ponto. Sendo opinião, já se parte do pressuposto que ela não é imparcial. Não o fosse, seria um julgamento, uma análise…

    Eu usei de palavras mais duras com os palestinos porque acredito que eles as mereçam. Como disse, meu objetivo não foi ser um repórter, mas um articulista.

    “Explico: acho que esse tipo de situação doméstica jamais deve se tornar global porque acredito sinceramente que a universalidade não é universal, então a esse conflito em particular petencem uma série de pormenores que nunca serão de pleno acesso a nós, portanto analizar nunca seria mais que um simples palpitar sobre esse tipo de coisa.”

    Em um aparte, entendi o que você quis dizer, mas você também sofre de um caboclo da escrita. “A universalidade não é universal”, sabe?

    E, novamente, não estou tentando fazer a análise imparcial e supremo. Estou expondo meu ponto de vista, mais sobre os artigos que se têm escrito sobre o conflito do que sobre o conflito em si. Procurei deixar isso claro lá no início.

    E como já tivemos parte da nossa discussão, reitero o uso de “terroristas covardes”.

  5. […] Existe uma situação em que isso faz sentido? Sim, na guerra ou, sendo mais genérico, em uma disputa – simplesmente porque a guerra em si não faz sentido e tem suas próprias regras de lógica. Vide a discussão da reação proporcional ou desproporcional, como aqui. […]


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