Publicado por: yumejin | quarta-feira, 21 janeiro 2009

Dos nomes

Esquecendo homônimos por um momento, cada um de nós está fadado a viver e morrer com uma identificação única – nosso nome completo. Se você ignorar por um instante toda aquela história de significado oculto e místico de cada nome, ainda assim, terá que reconhecer que esta escolha a princípio simples de nossos pais é absolutamente determinante para nós, os filhos.

É impossível ser indiferente diante de um nome. Pare pra pensar em um, qualquer um, primeiro nome, nome composto ou sobrenome, até apelido e cognome, e você vai perceber que tem um julgamento, que a princípio pode se resumir em bonito ou feio, combina e não combina, forte ou fraco, exótico ou comum, e depois evoluirá para a sua lembrança das pessoas que conhece ou das quais ouviu falar que possuem esse nome.

Nosso primeiro contato com os nomes é quando descobrimos que nossa mãe é chamada de outra coisa pelas pessoas. O que se segue é um aprendizado dos primeiros nomes e/ou dos apelidos de todas as pessoas próximas: pai, mãe, irmãos, avó, avô, tias e tios, primos e primas, amigos íntimos da família.

Pulando um pouco no tempo, na escola, por volta da época da alfabetização, descobrimos que possuímos não somente um nome, mas sobrenome [e, em alguns casos, segundos nomes e mais sobrenomes]. Provavelmente, algumas das primeiras palavras que escrevemos são justamente essas.

É justamente nesse ambiente em que somos confrontados com a realidade de nossos nomes. Descobrimos quão comuns ou incomuns eles são e os comparamos com os de nossos amigos. Muitas crianças desejam ter o nome de seus amigos, pelo que eu ouvi falar.

Mais velhos, passamos não mais a nos apresentar pelo primeiro nome, mas por nome e sobrenome e alguns incluem até a profissão. Isso me lembra do filme “Tratamento de Choque”, quando o personagem de Jack Nicholson questiona o de Adam Sandler sobre quem ele é. Quando este responde seu nome, o terapeuta diz “Não quero saber o seu nome. Quero saber quem você é.”.

No final das contas, realmente não somos o nosso nome, como não somos nossa profissão, nossas posses ou nossas roupas. Mas o nome é grande parte. Quando o seu nome é incomum [nem digo estranho, mas não frequente, como o meu, do -TCZ- ou da Moon], chega a ser incômodo estar em um ambiente com “outro de nós”. Além da confusão prática, é como se não fôssemos mais únicos.

Não sei dizer como funciona para pessoas com nomes mais comuns [Renato, Mr. Balboa e o aparentemente desaparecido Melquíades poderia falar sobre isso], mas eu gosto de observar se os outros que carregam o meu nome são “dignos” de os portarem.

Por isso, quero ter todo o cuidado ao escolher o nome dos meus filhos. Não posso repetir o meu, que embora ache muito bonito, seria “falta de imaginação”, me disseram. Pensei em dois para meninos e dois para meninas e, embora seja uma discussão cujos efeitos reais só deverão surgir daqui uma década, pelo menos, às vezes me vem à mente.

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Responses

  1. LoL
    xD

  2. “No final das contas, realmente não somos o nosso nome, como não somos nossa profissão, nossas posses ou nossas roupas.”

    Clube da Luta? XD

    Não acho meu nome tão comum assim. Pelo menos não encontro muitos com ele. Mas tem um colega de trabalho, na minha sala inclusive, que também é Renato, e embora às vezes eu vire a cara quando alguém o chama, não me incomoda nem um pouco. Ele é tão digno de ter o nome quanto eu ou qualquer um, oras. Mudar o nome da variável não muda seu valor… >.>

  3. LoL xD pra você também, Miocard.

    Bem, gosto do fato do meu nome não ser o mais comum de todos. Não sei se me sentiria confortável com um nome muito incomum ou fruto de um acordo terrível entre os nomes de meu pai e minha mãe e o de um primo de 3º grau.

  4. Eu particularmente não gosto do meu nome pois sempre escrevem-no errado e eu simplesmente cansei já de ter que soletrar sempre que vão escrevê-lo.

    Algumas pessoas (muitas na verdade) já me disseram que acham o meu nome um nome “forte” e para elas eu digo que isso de nome forte ou fraco é bobagem, como se nomes tivessem músculos.

    Então essa história toda de nomes é uma coisa um tanto quanto pessoal pra mim (lol, “história de nome é pessoal”, santo quase jogo de palavras batman)

  5. é verdade que me incomoda encontrar pessoas com o meu nome. devo ter conhecido umas duas até hoje. e recentemente só apareceu uma “celebridade”[?] com o mesmo nome.
    também já me cansei de soletra-lo, mas dou importancia de mais à grafia do meu nome, com outra grafia definitivamente não é o mesmo.

    e, esses dias só, quando li o livro que originou meu nome, me dei conta de que tenho um nome masculino! pois é.

  6. Yumejin: ressuscitei.
    Eu acho que desde o jardim de infância até minha saída da escola, eu NUNCA estive em uma turma em que não houvesse pelo menos uma pessoa além de mim com meu nome! Eu arriscaria dizer que em 70% das outras turmas também tinha sempre pelo menos um…
    Isso causa certos inconvenientes de ordem prática; por exemplo, é incontável o número de vezes por semana que ouço alguém gritar meu nome e, quando vou atender, não é comigo. Na escola, por exemplo, o que acontece é que apenas um dos portadores do nome é chamado por ele; os outros ou ganham apelidos (ou alguma outra marca que diferencie seu “rótulo” do dos outros), ou são chamados por nome e sobrenome.
    Sem contar também uma esdrúxula e bem peculiar coincidência que ocorre entre meu nome e um xingamento corriqueiro, de uso comum entre amigos se sacaneando: as duas palavras tem EXATAMENTE o mesmo número de letras e EXATAMENTE as mesmas vogais, e nas mesmas posições! Desnecessário dizer que isso sempre rendeu, na escola, aquelas pegadinhas, tipo o sujeito falar o xingamento rápido, sem articular muito bem as consoantes, o portador do nome achar que foi chamado, atender, daí o babaca vai e: “Aaaah olhou! Então é pq vc é, né?!?!”
    Pois então, quem lê tudo isso acha qe eu devo ser traumatizado com meu nome… mas nada, eu acho ele bem decente. Na verdade, nunca me importei muito com ele. Fico feliz por não ser mais um Sérgio, porque, sem exagero, 50% dos homens da família do meu pai se chamam assim (ele e meu avô inclusive). No fim das contas eu acho que mame foi feliz na escolha, e eu também! ;)


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