Publicado por: yumejin | sábado, 24 janeiro 2009

“The Curious Case of Benjamin Button”

Com 166 minutos de duração, “The Curious Case of Benjamin Button” é um longo filme que, embora deixe no espectador a impressão nítida de sua extensão, não provoca cansaço nem inquietude. Dividido em quatro partes distintas, infância, juventude, idade adulta e velhice, embora de tamanhos naturalmente diferentes, a história fala sobre um homem, Benjamin Button, que nasceu idoso [mas do tamanho de um bebê] e que, com o passar de alguns anos, descobre que está se tornando cada vez mais jovem.

O filme foi inspirado em um conto de Francis Scott Fitzgerald, uma resposta à frase de Mark Twain onde o escritor lamentava que o bom da vida estava no início e o ruim, no final. A verdade, no entanto, é a mensagem clara que o filme imprime: independente do caminho que seguimos, todos nós terminamos no mesmo lugar; O Eclesiastes já dizia que o tolo e o sábio morrem do mesmo jeito, assim como o justo e o mau e o velho e o novo.

Sem entrar no mérito da trama, que é um roteiro adaptado da obra literária e, portanto, não é original, o filme guarda certa semelhança com “Big Fish”, de Tim Burton, e mais fundamentalmente com “Pushing Daisies”, não no fantástico da história, mas na narrativa. A atenção aos detalhes que não servem unicamente à trama principal, mas à atmosfera almejada pelo diretor, também é admirável. A história começa com o relato de um relojoeiro, o Sr. Gateau, que recebe a encomenda de fazer o relógio da estação de trem de Nova Orleans. Quando recebe a notícia de que seu filho morreu na guerra, ele monta as engrenagens de tal forma que os ponteiros andam para trás. Ao narrar o caso, Daisy fala de boatos que diziam que Theodore Roosevelt, o 26º presidente estadunidense, estivera presente na cerimônia e a cena mostra um Roosevelt tocado pelo discurso do Sr. “Bolo”. É um momento mínimo da película, assim como muitos outros, mas que guarda a força que ela possui.

O filme se apóia em uma boa seleção de atores e, em especial, na decisão de deixar que Brad Pitt tome o centro da cena para si. Sua capacidade como ator há muito deixou de ser questionada e suas performances têm se provado maduras e à altura do papel e não é diferente neste caso. Cate Blanchett é competente, embora não traga nenhuma sensação especial. Rampai Mohadi, como Ngunda Oti, Phyllis Sommervile como a Avó Fuller e Mahershalalhashbaz Ali como Mr. Weathers têm pequenas funções, mas são capazes de trazer interesse a esses secundários.

A qualidade do trabalho de figurino e maquiagem também se destaca a ponto de parecer realmente crível o rejuvenescimento de Benjamin. Indicado para 13 Oscares, “The Curious Case of Benjamin Button” vale a ida ao cinema por ser singelo nos momentos certos e com pouca pieguice. A essência do conto original é preservada nesta adaptação e a raridade desse evento só realça as qualidades tanto da direção de David Fincher quanto da adaptação de Eric Roth.

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