Publicado por: yumejin | sexta-feira, 30 janeiro 2009

A Pedra do Reino

[Em primeiro lugar, enrolei-me e perdi o dia 27. Já era. Agora, só em abril eu arranjo outro.]

Entre 12 e 16 de junho de 2007, foi exibido tarde da noite A Pedra do Reino, baseado no romance de Ariano Suassuna O Romance d’A Pedra do Reino e do Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, uma microssérie de cinco capítulos cujo personagem principal, Dom Pedro Diniz Ferreira Quaderna, faz uma apresentação na praça de Itaperoá sobre sua história e, por consequência, a história da cidade e de seus habitantes.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a abertura, com uma música que lembra bastante a do Quinteto Armorial:

Em sequência, a primeira cena com a clássica apresentação de todos os personagens de uma forma diferente, misturando costumes do Leste Europeu com a ambientação nordestina:

Como parte do chamado Projeto Quadrante, que teve seu segundo rebento recentemente, Capitu, pelo mesmo diretor, A Pedra do Reino foi considerada o maior fracasso da Globo dos últimos tempos. Sua audiência foi baixíssima, deixando a emissora na terceira posição do Ibope.

A verdade é que o estilo de narrativa é tão complicado que até mesmo os acostumados com a falta de pontuação e os atropelos dos pensamentos de Saramago podem se surpreender com a maneira com que Quaderna conduz seu épico, através do igualmente seu estilo régio, misturando sua pequena vila no imenso Brasil com o Sebastianismo, declarando-se afilhado do Desejado. Na verdade, ela é simultaneamente rebuscada e rápida, tornando certos trechos verdadeiros desafios mentais.

A bem da verdade, a escolha do diretor e do romance deve ter se baseado no sucesso de Hoje É Dia de Maria, que eu não vi até hoje, mas a diferença fundamental entre ambas as narrativas está justamente no título da obra original: o vai-e-volta. Somente após mais da metade da microssérie é possível compreender, e mesmo assim não totalmente, onde as pontas se amarram na trama.

Sendo o contra, também é o pró: esse estilo dá À Pedra do Reino um posto único nas séries, onde o espectador de fato é transportado, como a animação da abertura faz crer, para um mundo secreto e mágico, pequeno e grandioso.

Com a escolha sensata de procurar bons atores, não atores famosos, Luiz Fernando Carvalho conseguiu reunir pessoas que não deixam em momento algum transparecer que interpretam outros senão a si mesmos. A diferença entre o que acontece e o que Quaderna vê ou imagina que vê, os absurdos da trama, os personagens que se completam pra formar uma imagem mosaica como é o romance do protagonista, tudo torna assistir à microssérie cansativo e impressionante, ao mesmo tempo ou alternado.

Os maiores destaques ficam para Irandhir Santos, intérprete de Quaderna em três fases da vida, Cacá Carvalho no papel do Juiz Corregedor e das três figuras proeminentes da política ideológica da cidade: o esquerdista Clemente, vivido por Jackson Costa, o direitista Samuel, Frank Menezes, e o extremista de centro, Comendador Basílio Monteiro, interprado por Prazeres Barbosa.

Aqui está um apanhado de cenas em alta qualidade que talvez os incitem a aguardar, como eu, pelo DVD.

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