Publicado por: - TCZ - | domingo, 29 março 2009

Spirit – Crítica

É o seguinte, vou ser BEM direto com vocês: não conhece quadrinhos,
nem chegue perto desse filme. Não tô dizendo de você, garoto juvenil
criado a leite com pera e ovomaltino, que tem uns gibis do Homem
aranha e da Turma da mônica e por isso acha que entende Alan Moore.
Nem to falando de você, rapaz intelectual que leu Watchmen uma vez,
duas edições de invisíveis e acha que é o bambambam das HQ’s e escreve
resenhas pro seu blog. Se você não manja um MÍNIMO de história mesmo
do início das HQ’s e acha que Eisner é nome de prêmio só, faça um
favor a você e todos nós e PASSE LOMG!

Spirit é todo uma homenagem foda aos quadrinhos, a origem deles lááááá
nos anos cinquenta; Dos quadrinhos de crime, passando pelos de humor,
suspense, erótico e chegando nos quadrinhos de policial e finalmente
chegando nos de super heróis. Eu fui assistir o filme desacreditado
pelos comentários no meio nerd internético (que aliás tá cada vez mais
decepcionante, overrated e jabazeiro…) e esperava pelo menos
encontrar uma estética foda. Afinal porra, é Frank Miller, o cara do
Batman e do Sin City. E eu encontrei bem mais que isso. Veja bem, a
estética está lá e é FANTÁSTICA, Miller não é, nunca foi e nunca
tentou ser um diretor de filmes na minha opinião: tudo o que ele
cosneguiu alcançar com o Spirit foi como quadrinista mesmo. Foi como
se ele estivesse ali, roteirizando, storyboardizando, diagramando e
desenhando, mas com atores, com cgi e cenários. PERFEITO. Cada
enquadramento, cada tomada, expressão dos atores e mesmo o cenário de
fundo das tomadas (que seriam os próprios quadrinhos) está
perfeitamente condizente com algo que você veria num gibi da época,
comparando com o trabalho anterior de Miller no cinema, não como
diretor mas diretamente envolvido, 300, eu posso dizer (e digo isso
como alguém que ADOROU o filme mesmo com todos os exageros,
homoeroticismos e com o Santoro Verão e seu carro alegórico): ficou
MELHOR, e sem cair num cult ao pop vintage tão na moda: parecia que ao
invés de assistir a um Tim Burton da vida, eu assistia a um Dick
Tracy. Claro, não vou dizer que adaptação ficou HYPERfiel, mas ficou
condizente com a proposta que eu imagino que o Miller teve: era como
se o Spirit tivesse saido de Central City e parado em Sin City pra
tomar uma breja e porrar uns malandros e o Octopus. A gravata vermelha
do Esprito no meio de todo aquele p&b&gray não deixava dúvidas que
Miller dizia “É do Will, mas quem tá dirigindo sou eu, lembrem disso”

A movimentação do Spirit é uma mistura de quadrinhos com os “desenhos
desanimados” da década de 60. Quando ele corre sobre os prédios os
movimentos são mais pausados, uma referência aos planos sequencia dos
quadrinhos de Eisner, que retratavam o movimento na sua metade, tendo
assim o personagem como se estivesse sendo fotografado no ar, entre
dois passos. Essa pausa, que aposto que a maior parte do publico vai
achar comica, assim como a primeira cena de luta em que as sombras do
herói e dos bandidos projetadas nas paredes é que efetivamente lutam,
na verdade é uma referência necessária aos quadrinhos e a sua forma de
desenrolar das cenas de ação. Temos que lembrar que Spirit é um
quadrinhos PRÉ fase heróica, antes do Pedro Prado suingar entre
prédios. As pessoas corriam e se movimentavam como gente normal e
desenhar isso era o máximo! E o lado cômico que acaba vindo é
reminescência também desse período.

O filme, falando nisso, acaba também tendo seus momentos de comédia,
com o Spirit dando em cima das mulheres do filme (de TODAS
absolutamente) e exibindo o seu jeito canalhão-anos-50 de ser. Pode
parecer exagero, e É! Os quadrinhos dos anos 50 eram mesmo assim,
cheios de idiossincrasias e coisas exageradas, destinados a divertir
mais que os filmes de matineé, trazer algo ao mesmo tempo próximo dos
pulps e ao mesmo tempo próximo das tiras infantis, visto que o público
alvo era transitório entre essas duas mídias. O filme conseguiu BEM
pegar esse meio termo entre o comico e o sério, vide a primeira
sequencia de porrada (e que porrada) ente Spirit e Octopus, que por
momentos pode doer em quem tá assistindo, por outros lembra algo saido
dum Tom&Jerry (ou dum Comichão e Coçadinha)

E o que me deixou MAIS animado durante o filme foram as referências
que Miller espalhou pelo filme à história das HQ’s: logo no início da
película, na primeira cena mesmo, o Spirit encontra com um policial
comum num carro de polícia indo investigar uma pista dum informante,
topamos com a primeira (pelo menos a primeira que eu percebi)
refrência importante que nos diz, a nós pessoas que conhecem a
história das HQ’s, que esse é um filme de homenagem: o nome do
policial é Liebowitz. Soa familiar? Pois é, eu tive a mesma reação. Na
verdade, quando vi esse nome em particular eu logo pensei “Rá, legal,
Liebowitz…” mas nem pensei que acabaria vendo Kurtzman, Dikto e
Donnenfeld no filme (aliás o personagem que leva o nome do Harry
Donnenfeld no filme é uma referência, e uma crítica, direta ao
personagem histórico… mais homenagem que isso impossível) Não
conheceu nenhum desses nomes? Wiki’it

Em resumo, o filme é uma homenagem ENORME aos quadrinhos como eu nucna
vi e aposto que nunca mais verei. Foi como se o tarantino resolvesse
fazer uma coisa do tipo, mas com um pouco mais de qualidade, dedicação
e um pouco menos do “fator autoral”. não sei, adoro Tarantino, mas
aposto que não se daria bem com um campo de referência tão restrito.
Então se você gosta mesmo de quadrinhos e conheçe nem que seja o
basicão da sua história, principalmente durante os anos 50 esse é um
filme orgástico. Se não pelo menos você precisa reconhecer que o filme
tá BEM bonito. Se nada disso prestar, vai, a Scarlett Johansson tá
VERY CUTE *-* (acho a Eva Mendez feinha… desculpae)

Ah, e quanto as atuações, o cara que fez o Spirit é um ilustre
desconhecido e talvez por isso tenha encaixado bem no padrão físico do
personagem, muito embora a profundidade da interpretação seja a de um
balde de lavar roupa (acho que isso tenha sido proposital pela
proposta que identifiquei por parte do diretor), Eva Mendez está
totalmente acessório no filme, que poderia muito bem passar SEM o seu
personagem (e na cena com Donnenfeld suas curvas e o figurinho parecem
brigar para ver quem arrebenta quem… desnecessário) Scarlett
Johansson está divertida e bonita, mais para o cute que para o
gostosa, interpretando uma Evil She-nerd. Gostei. E o
Samueleldjéquisson esta MUITO foda: divertido, engraçado, e sombrio
nas horas certas. Realmente, quando você vira um “Ator foda-se” as
coisas ficam bem mais divertidas nos seus papéis =D E não posso
esquecer de destacar o ator que interpreta os capangas do Octopus, que
apesar de estar num papel quasi ridículo, faz isso muito bem, deixando
o público no meio termo entre odiar e adorar o capanga idiota.

Então o negócio é esse: se você for fã e gostar da coisa vá ver AGORA,
desliga o pc e VAI. Se não, espere sair no Dvd ou vá em dia de
promoção pois provavelmente você pode achar o filme mais um especial
para a TV, um ripp-off de Sim City (ou de Captain Sky) ou um
“comercial de perfume D’ior gigante” como bem definiu a minha senhora
=D

Pra mim? Nota Nove.

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Responses

  1. LOL

    Na verdade o sr. Miller fez os storyboards, o que eu vi em vários making of – que aliás me empolgaram bastante- mas apesar de nunca ter lido spirit to mó afim de ver esse filme….\o\


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