Publicado por: - TCZ - | sexta-feira, 12 junho 2009

Ensinando a vida do Crime

Ontem em Itajaí (SC), foi preso o homem que apareceu faz
um tempinho no Fantástico “ensinando” seu filho e sua
sobrinha “a matar e roubar” e, claro, chocou a nação.
Como sempre, isto também pode render uma boa reflexão
sobre a quantas anda a sociedade brasileira.
Recebi a notícia esta manhã antes de ir trabalhar e
comentando com minha mãe ressaltei uns pontos
interessantes que acho que acabam passando despercebidos
quando falamos sobre esse caso em particular, em
primeiríssimo lugar acho que o vídeo tão polêmico deve
ser posto em questão. Vejam bem, não existe criança que
não brinque de polícia e ladrão (ok, deve existir, mas
vou ignorar esses obstáculos lógicos em nome da reflexão
ok?) Esse tipo de brincadeira é natural, e creio que até
bem vindo para a formação da criança, que desde cedo
entende a diferença entre bem/mal, certo/errado e absorve
isto sabendo que a polícia pega o ladrão  e o ladrão foge
da polícia. Da mesma forma, essas mesmas crianças quando
disso brincam tem costume em por seus dedos em “L”,
polegar e indicador fazendo ângulo de noventa graus, e a
medida que o polegar é movimentado para baixo um “tiro” é
desparado seguido de uma onomatopéia qualquer (“PISH!
PEI! POU!”) Isso acaba sendo natural atualmente, crianças
sabem o que são armas de fogo, e sabem que são
instrumentos de poder. Apenas, acredito eu, tem uma
compreensão errada do que seja um ferimento de bala, ou
do que seja a morte de uma pessoa. Que a cada “PISH!” uma
pessoa se fere gravemente ou deixa de existir. Divago,
mas não deixa de ser tido como “normal” isso, uma simples
brincadeira de criança. Eu mesmo brinquei muito de
“arminha” e polícia e ladrão e nem por isso assalto
bancos ou ônibus à mão armada por ai.
Pois bem, o que estas crianças faziam no vídeo não passa,
na minha singela opinião, duma bobeirinha à toa, uma
brincadeira de criança. Embora na mente do meliante que
as instruia ele sabia muito bem o que fazia as crianças
encenarem, estas estavam apenas brincando. Muitas vezes
me recordo de ter interpretado o ladrão ou o polícia tal
qual faziam as crianças do vídeo. Prum adulto, as
coronhadas na boneca que a menina executou podem ser
visualmente chocantes, mas para uma criança é um golpe
físico que se faz em brincadeiras como qualquer outro.
Até mesmo a arma de brinquedo que usavam não era nem um
pouco parecida com uma arma real, dessas que encontramos
na Rua, era uma arma dessas que se encontra em lojas de
brinquedo que não remete a uma arma real. Existe mais uam
vez a questão de PORQUE afinal se incentiva este
comportamento, de crianças brincarem com armas, mas isso
fica pruma outra reflexão.
O que fica aqui é a hipocrisia de nossa sociedade que
abominou o video, como se as crianças estivessem sendo
educadas no crime, coisa que eu achei que não era o caso,
apenas brincavam como quaisquer outras por ai. Engraçado
que as crianças criadas em comunidades carentes, os
morros, que diariamente são recrutadas e ESSAS SIM
ensinadas nas “artes do crime”, destas ninguém fala. Mas
tudo bem, vamos passar adiante disto TAMBÉM. A sociedade
também prefere se horrorizar com um video dum brincadeira
infantil que se preocupar com a violência que cerca
nossas crianças, que nos dias de hoje o contato com
coisas como armas de verdade é muito facilitado, assaltos
e assassinatos fazem parte do vocabulário comum dos
pequenos e coisas como disparar tiros e possuir armas
para resolver problemas é uma coisa justificada, bastam
ver inúmeros acidentes envolvendo menores e armas de fogo
que ocorrem quase que semanalmente no país e são
amplamente divulgados pela mídia, basta procurar e ouvir.
Eu acho que é um pânico moral que, não direi que é
injustificado, mas sim que é posto fora de seu lugar. Que
ao se preocupar com um vídeo inocente (do ponto
de vista das crianças) deveríamos nos precoupar sim com
condições que nos cercam que ESSAS SIM põe em risco a
infância das crianças brasileiras.
Ai vem o golpe de misericórdia: o ladrão foi prontamente preso pouco tempo depois da exibição das imagens em rede nacional e diversas menções na mídia falada e escrita. O mais interessante é que antes desta vinculação, o criminoso permanecia foragido e intocado pelo poder público, mas assim que apareceram as imagens uma urgência se fez pela busca e captura desse indivíduo, como se o pânico moral condicionasse os esforços da polícia e não o crime que ele porventura tivesse cometido. A respeito disto podem argumentar, e com toda razão, que na verdade a presteza em sua prisão se deu pela exposição de sua imagem em rede nacional, o que favoreceu a sua eventual captura, porém ainda assim desconfio dessa velocidade toda e, no mínimo, desconfio (aliás nem desconfio porque isso está MUITO na cara de todo mundo) da publicidade que esta captura está tendo.
No final das contas meus leitores, é crime maior esfregar na cara da sociedade seus defeitos que roubar ou cometer qualquer outro crime. A sociedade demanda reparação imediata quando é ferida.

Anteontem em Itajaí (SC), foi preso o homem que apareceu faz um tempinho no Fantástico “ensinando” seu filho e sua sobrinha “a matar e roubar” e, claro, chocou a nação. Como sempre, isto também pode render uma boa reflexão sobre a quantas anda a sociedade brasileira.

Recebi a notícia esta manhã antes de ir trabalhar e comentando com minha mãe ressaltei uns pontos interessantes que acho que acabam passando despercebidos quando falamos sobre esse caso em particular. Em primeiríssimo lugar acho que o vídeo tão polêmico deve ser posto em questão. Vejam bem, não existe criança que não brinque de polícia e ladrão (ok, deve existir, mas vou ignorar esses obstáculos lógicos em nome da reflexão ok?) Esse tipo de brincadeira é natural, e creio que até bem vindo para a formação da criança, que desde cedo entende a diferença entre bem/mal, certo/errado e absorve isto sabendo que a polícia pega o ladrão  e o ladrão foge da polícia. Da mesma forma, essas mesmas crianças quando disso brincam tem costume em por seus dedos em “L”, polegar e indicador fazendo ângulo de noventa graus, e a medida que o polegar é movimentado para baixo um “tiro” é desparado seguido de uma onomatopéia qualquer (“PISH! PEI! POU!”) Isso acaba sendo natural atualmente, crianças sabem o que são armas de fogo, e sabem que são instrumentos de poder. Apenas, acredito eu, tem uma compreensão errada do que seja um ferimento de bala, ou do que seja a morte de uma pessoa. Que a cada “PISH!” uma pessoa se fere gravemente ou deixa de existir. Divago, mas não deixa de ser tido como “normal” isso, uma simples brincadeira de criança. Eu mesmo brinquei muito de “arminha” e polícia e ladrão e nem por isso assalto bancos ou ônibus à mão armada por ai.

Pois bem, o que estas crianças faziam no vídeo não passa, na minha singela opinião, duma bobeirinha à toa, uma brincadeira de criança. Embora na mente do meliante que as instruia ele sabia muito bem o que fazia as crianças encenarem, estas estavam apenas brincando. Muitas vezes me recordo de ter interpretado o ladrão ou o polícia tal qual faziam as crianças do vídeo. Prum adulto, as coronhadas na boneca que a menina executou podem ser visualmente chocantes, mas para uma criança é um golpe físico que se faz em brincadeiras como qualquer outro. Até mesmo a arma de brinquedo que usavam não era nem um pouco parecida com uma arma real, dessas que encontramos na Rua, era uma arma dessas que se encontra em lojas de brinquedo que não remete a uma arma real. Existe mais uam vez a questão de PORQUE afinal se incentiva este comportamento, de crianças brincarem com armas, mas isso fica pruma outra reflexão.

O que fica aqui é a hipocrisia de nossa sociedade que abominou o video, como se as crianças estivessem sendo educadas no crime, coisa que eu achei que não era o caso, apenas brincavam como quaisquer outras por ai. Engraçado que as crianças criadas em comunidades carentes, os “morros”, que diariamente são recrutadas e ESSAS SIM ensinadas nas “artes do crime”, destas ninguém fala. Mas tudo bem, vamos passar adiante disto TAMBÉM. A sociedade também prefere se horrorizar com um video dum brincadeira infantil que se preocupar com a violência que cerca nossas crianças, que nos dias de hoje o contato com coisas como armas de verdade é muito facilitado, assaltos e assassinatos fazem parte do vocabulário comum dos pequenos e coisas como disparar tiros e possuir armas para resolver problemas são coisas justificadas, bastam ver inúmeros acidentes envolvendo menores e armas de fogo que ocorrem quase que semanalmente no país e são amplamente divulgados pela mídia, basta procurar e ouvir. Eu acho que é um pânico moral que, não direi que é injustificado, mas sim que é posto fora de seu lugar. Que ao se preocupar com um vídeo inocente (do ponto de vista das crianças) deveríamos nos precoupar sim com condições que nos cercam que ESTAS SIM põe em risco a infância das crianças brasileiras.

Ai vem o golpe de misericórdia: o ladrão foi prontamente preso pouco tempo depois da exibição das imagens em rede nacional e diversas menções na mídia falada e escrita. O mais interessante é que antes desta vinculação, o criminoso permanecia foragido e intocado pelo poder público, mas assim que apareceram as imagens uma urgência se fez pela busca e captura desse indivíduo, como se o pânico moral condicionasse os esforços da polícia e não o crime que ele porventura tivesse cometido. A respeito disto podem argumentar, e com toda razão, que na verdade a presteza em sua prisão se deu pela exposição de sua imagem em rede nacional, o que favoreceu a sua eventual captura, porém ainda assim desconfio dessa velocidade toda e, no mínimo, desconfio (aliás nem desconfio porque isso está MUITO na cara de todo mundo) da publicidade que esta captura está tendo, para satisfazer a moral e bons costumes de nossa população.

No final das contas meus leitores, é crime maior esfregar na cara da sociedade seus defeitos que sequestrar ou cometer qualquer outro crime. A sociedade demanda reparação imediata quando é ferida.

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Responses

  1. E é assim com tudo na nossa sociedade. Vide Brasília, que vira um fuzuê quando algum deputado é colocado em CPI ou fez algo ” pavoroso”, tudo é chocante, maquiado para ser “consertado” e esquecido.

    O chocante em si no vídeo é o gracinha do ladrão fazendo isso, acho. Se bem que a gente se choca com qualquer merda que mostre o quão fracos somos perante a isso tudo e a nós mesmos, que não fazemos nada para mudar.

    O mais ridículo é escrever pensando “céus, como isso é clichê” e logo em seguida pensar que o clichê é clichê justamente pela sua importância, seja em qualquer aspecto


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