Publicado por: Ehrrieff, o Nobre | terça-feira, 4 agosto 2009

Estava entediado com o capítulo Zero, que….

… por ser introdutório estava meio arrastado, então decidi começar o Um(Bê) logo. Então não estranhem a falta de continuidade… é, huh…estilística.

XXX

Capítulo 1-B: O lado de fora

O último degrau correu por baixo das gordas e curtas pernas de meta cedo demais. O buraco do metrô expeliu-o para terra batida e cinzenta do lado de fora. A surpresa de se ver esparramado sob o chão, o céu finalmente voltando a ficar sobre sua cabeça, atrasaram o seu já lerdo raciocínio; passaram-se alguns instantes até que os primeiros flashes dos últimos minutos viessem a tona. E com eles, o gosto de ferro, a ardência em seu abdômen. Olhou para si, e percebeu, sob uma fina camada cinzenta de areia e detritos, a vermelhidão do corte aberto em sua barriga.

Virou-se imediatamente para trás, em pânico. Passou instantes abissalmente longos, com o olhar fixo na escuridão do túnel para além da curta escadaria abaixo de si. A fraca luz do dia enevoado não ousava penetrar para além da metade do túnel. Esperou, completamente imóvel, mas ninguém mais subiu as escadas. Talvez os seguranças tivessem surgido – não lembrava de ter visto nenhum, agora que pensava sobre isso, mas esse tipo de gente só era visível quando precisa – é, deveriam ter pego seu agressor; deveria ser impossível… ou ao menos improvável ninguém ter reparado nele correndo, enquanto gritava e gemia de dor, um moleque pálido e ruivo vestido em farrapos em seu encalço, com uma faca ensangüentada na mão…

O talho em sua barriga não estava mais sangrando, embora, agora que havia se lembrado dele, ardesse mais do que nunca. Pensou em descer as escadas em direção a estação. No momento em que seu pé tocava o degrau que o derrubara, no entanto, um medo absoluto, mais terrível e inevitável que a própria morte o possuiu – a escuridão do abismo o encarava, e, incapaz de manter o olhar, virou-se, depressa, o peito sendo espancado pelo lado de dentro. Não podia voltar. Não sabia porque, mas sentia que era melhor que sequer pensasse sobre isso. Foi só então que olhou para fora, e o mundo a sua volta se fez presente, e para além das escadas se estendeu uma pequena praça vazia e suja, mas cuja vacilante luz filtrada entre as plúmbeas nuvens tornava quase convidativa.

Andando um pouco ao redor, a mão tampando o ferimento, se arrastando vagarosamente devido a exaustão (havia corrido como nunca, por aqueles corredores escuros), enxergou um bar aberto do outro lado da praça, depois de uma ruazinha estreita coberta de terra. O bar, sendo um estabelecimento comercial, pareceu a meta um refúgio razoavelmente seguro. Ao menos enquanto estivesse consumindo algo, teria a proteção local devido a sua posição de cliente, e teria um lugar pra sentar e lavar suas feridas.

Sua voz vacilante escorreu e se espalhou em meio ao silêncio no bar vazio, só uma rasa fachada cavada em um prédio velho, a alguns metros da ruela sem carros: “Ah… o senhor… o senhor teria… água?” arfava, e o balcão sólido de alumínio e vidro parecia mal sustentar seu peso. “Tem copo, garrafa e balde. O copo tá dois e…” – ouviu-se na voz grossa que saía por detrás do balcão, que então completou, agora com seu emissor finalmente virado para frente – “ih, tá feio o negócio… andou fazendo merda, hein, moleque? Vai lá no banheiro, dá uma lavada nisso aí…” “Ah, uh.. o-obrigado” – disse meta, arrastando-se na direção apontada pelo homem.“E, bom, me vê um… um copo… é, um copo d’água, por favor…” disse já saindo do minúsculo banheiro, a sujeira e o sangue lavados, ao menos por fora.

Enquanto a água de estranho gosto metálico devolvia alguma umidade a sua garganta, meta respondia com meneios de cabeça e eventuais “uhums” aos torrenciais comentários do velho dono do bar. O homem era redondo, muito branco e careca, parecendo um ovo molenga e mal cozido que alguém enfiou em roupas velhas; impressão aumentada devido a insuportável podridão de seu bafo, que lhe lembrava da pavorosa omelete de Melopéia, a pior cozinheira do mundo, como ela mesmo as vezes, deprimida, confessava.

Levantando-se e se afastando um pouco, numa reação automática para fugir do fedor, meta interrompeu a enfática crítica que a criatura ovóide a sua frente fazia a juventude local “como um bando de… como é que se diz? daqueles bicho que come os morto, aqueles pássaro.. ” ao perguntar se o comerciante teria alguma bala para vendê-lo (açúcar… um pouco de açúcar era tudo que precisava – até aquelas azedas balinhas redondas de tamarindo serviriam) – no que o homem retrucou, sério: “olha garoto, até tem, mas vai custar caro… aqui bala sai mais que cachaça!” e puxou de baixo do balcão uma caixa de papelão cujo conteúdo brilhava frio, rígido, metálico… “mas e aí, vai de bala de pistola, revólver ou escopeta? A .38 tá na promoção…”

XXX

É, está meio longo. Bom, mas eu realmente queria avançar com a trama – sim, mais coisas devem acontecer, e personagens, e… ah, leia na próxima terça, se puder! Juro que tentarei melhorar – na próxima semana. Agora, se me dão licença, vou tentar dormir…

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Responses

  1. =/
    mas… mas…como assim???
    eu adoro balas de tamarindo!!!


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