Publicado por: - TCZ - | sexta-feira, 28 agosto 2009

“Capítulo Um”

Bem, faz tempo que não escrevo pra cá. Motivação é um ponto, desânimo é outro e essas dois não necessariamente estão relacionados. Falta de tempo e excesso de coisas pra fazer vem em seguida (também não relacionados)

De qualquer forma, o ponto de hoje é que uma amiga muito querida minha achou um conto meu na internet. Isso de qualquer forma já é legal o suficiente, eu sempre me surpreendo com o poder da internet, das pessoas lendo coisas suas sem que você peça, assim, por tropeçar em cima mesmo. E ela tinha gostado muito do que tinha lido mimimi. Eu ainda acho uma bosta, assim como tudo o que eu escrevo, mas como ela gostou TANTO eu decidi, por falta de coisas melhor pra fazer, repostar aqui e dar um destaquezinho ao conto, as vezes outra pessoa gosta também e o que tenho mais sentido falta nos blogues por ai não são dos velhos e batidos textos de opinião, mas de um pouco de literatura divertida e descompromissada.

Eu continuo achando uma bosta, confiram vocês mesmos depois do “Leia Mais”

Paciência
Era um garoto como outro qualquer, criado como outro qualquer e nascido como outro qualquer.
Foi uma criança normal e cresceu normalmente sem problemas. Aluno mediano, não tão popular nem com os amigos nem com os professores tampouco com as garotas. Era mais um dos inúmeros transeuntes que povoam as cenas cotidianas. Tinha um computador, tinha tempo vago, tinha acesso a Internet e ficava gastando seu tempo nela. Tinha insônia. Muito normal.
Quando esgotavam suas atividades jogava no computador, mas os jogos o cansavam, não o entretiam por tempo suficiente. Quando isso acontecia, jogava Paciência.
Quando era mais jovem, sabia as regras, sabia como movimentar as cartas, mas achava idiota.
Não via lógica, “apenas mais um jogo de sorte”.
Naquela época não ostentava ainda seu cabelo desgrenhado semi-cacheado, não ostentava seu princípio de barba despontando nem ostentava sua compleição física esbelta apesar de seu sedentarismo. Ostentava apenas uma mente mais fresca e com mais possibilidades. Agora havia poucas possibilidades a frente dele, e as únicas que ele conseguia ver estavam diante do computador.
Porém realmente passava muito tempo diante da máquina ficando cada vez mais entediado, quando os jogos já não mais o satisfaziam nem a música. Quando todos em sua lista de amigos online ou eram idiotas demais para o esforço de digitar ou achavam que ele o era. Quando isso acontecia ele ficava num estado de inércia mental.
Um dia resolveu jogar Paciência. Um dia conseguiu terminar o jogo e se surpreendeu com isso.
Contou para todos os seus amigos online, nenhum deles achou interessante ou digno de nota. Ele desanimou. Mas isso era quando mais jovem (mas um pouco mais velho do que era antes)
Agora ele ainda está a frente do computador. Ainda tem algumas atividades freqüentes, ainda conversa com seus amigos, ainda joga outros jogos, ainda ouve música e agora também coleta pornografia.
Mas também ainda fica entediado
E nessas horas ainda joga paciência
Mas de um dia para o outro o jogo começou a ficar mais interessante
Mais intrigante, mais lógico, mais profundo.
Cada vez mais ele era absorto por aquele jogo, ele o fazia ficar em paz e satisfeito consigo próprio.
O definiu como esporte num site de relacionamentos.
Passava a jogar mesmo quando não estava entediado.
Passava a jogar mesmo quando haviam pessoas interessantes conversando com ele.
Passou a almejar sempre a maior pontuação, passou a criar regras próprias de conduta para o jogo, passou a achar intrincadas redes de ligação entre as cartas que nem ele próprio entendia mas eram divertidas.
Começou a preferir o Paciência as outras atividades do seu computador.
Passou a preferir o jogo a seu próprio computador.
E passou a achar significado na ordem das cartas
E passou a interpretar a ordem das cartas
Passou a acreditar nisso
E passou a ver que estava certo
Cada vez que revirava o monte, cada vez que pulava um Jack vermelho, cada vez que abria uma casa vaga no tabuleiro, cada vez que abria uma carta nova nos montes, levava a ele um significado novo, uma variável nova, algo acrescentado a um grande significado maior.
Primeiro pensou que fosse impressões isoladas
Alias, antes disso sequer as percebia, pensava apenas que era seu entusiasmo repentino pelo jogo. Mas começou a separar as coisas.
Depois começou a ver significado
Depois passou a utilizar as dicas que o jogo dava como presságios
Depois começou a prever acontecimentos
primeiro mais gerais, como “algo dará errado hoje” ou “o dia vai ser bom hoje”….
…. depois mais específicos.
Chegou a um ponto onde tudo se revelava pelas cartas do jogo, tudo estava expresso em números figuras e naipes.
Seu naipe preferido era espadas
Sua carta preferida era o Ás
Seu jogo preferido passou a ser o Paciência
E sua vida mudou depois disso
Passou a mudar sua vida através do jogo
Literalmente

Paciência


Era um garoto como outro qualquer, criado como outro qualquer e nascido como outro qualquer.

Foi uma criança normal e cresceu normalmente sem problemas. Aluno mediano, não tão popular nem com os amigos nem com os professores tampouco com as garotas. Era mais um dos inúmeros transeuntes que povoam as cenas cotidianas. Tinha um computador, tinha tempo vago, tinha acesso a Internet e ficava gastando seu tempo nela. Tinha insônia. Muito normal.

Quando esgotavam suas atividades jogava no computador, mas os jogos o cansavam, não o entretiam por tempo suficiente. Quando isso acontecia, jogava Paciência.

Quando era mais jovem, sabia as regras, sabia como movimentar as cartas, mas achava idiota.

Não via lógica, “apenas mais um jogo de sorte”.

Naquela época não ostentava ainda seu cabelo desgrenhado semi-cacheado, não ostentava seu princípio de barba despontando nem ostentava sua compleição física esbelta apesar de seu sedentarismo. Ostentava apenas uma mente mais fresca e com mais possibilidades. Agora havia poucas possibilidades a frente dele, e as únicas que ele conseguia ver estavam diante do computador.

Porém realmente passava muito tempo diante da máquina ficando cada vez mais entediado, quando os jogos já não mais o satisfaziam nem a música. Quando todos em sua lista de amigos online ou eram idiotas demais para o esforço de digitar ou achavam que ele o era. Quando isso acontecia ele ficava num estado de inércia mental.

Um dia resolveu jogar Paciência. Um dia conseguiu terminar o jogo e se surpreendeu com isso.

Contou para todos os seus amigos online, nenhum deles achou interessante ou digno de nota. Ele desanimou. Mas isso era quando mais jovem (mas um pouco mais velho do que era antes)

Agora ele ainda está a frente do computador. Ainda tem algumas atividades freqüentes, ainda conversa com seus amigos, ainda joga outros jogos, ainda ouve música e agora também coleta pornografia.

Mas também ainda fica entediado

E nessas horas ainda joga paciência

Mas de um dia para o outro o jogo começou a ficar mais interessante

Mais intrigante, mais lógico, mais profundo.

Cada vez mais ele era absorto por aquele jogo, ele o fazia ficar em paz e satisfeito consigo próprio.

O definiu como esporte num site de relacionamentos.

Passava a jogar mesmo quando não estava entediado.

Passava a jogar mesmo quando haviam pessoas interessantes conversando com ele.

Passou a almejar sempre a maior pontuação, passou a criar regras próprias de conduta para o jogo, passou a achar intrincadas redes de ligação entre as cartas que nem ele próprio entendia mas eram divertidas.

Começou a preferir o Paciência as outras atividades do seu computador.

Passou a preferir o jogo a seu próprio computador.

E passou a achar significado na ordem das cartas

E passou a interpretar a ordem das cartas

Passou a acreditar nisso

E passou a ver que estava certo

Cada vez que revirava o monte, cada vez que pulava um Jack vermelho, cada vez que abria uma casa vaga no tabuleiro, cada vez que abria uma carta nova nos montes, levava a ele um significado novo, uma variável nova, algo acrescentado a um grande significado maior.

Primeiro pensou que fosse impressões isoladas

Alias, antes disso sequer as percebia, pensava apenas que era seu entusiasmo repentino pelo jogo. Mas começou a separar as coisas.

Depois começou a ver significado

Depois passou a utilizar as dicas que o jogo dava como presságios

Depois começou a prever acontecimentos

primeiro mais gerais, como “algo dará errado hoje” ou “o dia vai ser bom hoje”…

… depois mais específicos.

Chegou a um ponto onde tudo se revelava pelas cartas do jogo, tudo estava expresso em números figuras e naipes.

Seu naipe preferido era espadas

Sua carta preferida era o Ás

Seu jogo preferido passou a ser o Paciência

E sua vida mudou depois disso

Passou a mudar sua vida através do jogo

Literalmente

Bem foi isso. Eu agora acho BEM limitado e muito curto, mas sem dúvida é bastante simpático. Acho que foi um momento bom tê-lo escrito e ainda me entretém, mesmo que de forma ínfima.

Eu sei que a maioria dos nossos leitores/colaboradores provavelmente já conhece esse texto, pois é algo bem velho meu quando ainda tinha outro blog mas sempre tem gente nova passando por aqui e as vezes é uma boa idéia por denovo no topo (não é Bárbara?)

Bem, então até depois pra todo mundo.

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