Publicado por: - TCZ - | sexta-feira, 23 agosto 2013

Ben Affleck pode não ser a melhor escolha, mas Christian Bale também não é!

A internet fervilhou nesta última Quinta para Sexta-Feira com a notícia (ao que parece oficial) de que Ben Affleck (aquele mesmo da J-Lo) foi escolhido para ser a nova encarnação do Batman nos cinemas no vindouro filme do cruzado embuçado com o homem-cueca. Logo de cara vieram dezenas (senão milhares) de críticas à escolha… das quais eu discordo. Ou pelo menos divirjo: se por um lado Affleck pode não ser a melhor escolha, de longe Bale nunca foi. Explico porque depois do “leia mais”.

Pode parecer uma argumentação meio tosca defender um pelo ataque ao outro, mas para defender o potencial dramático do Ben Affleck eu só digo uma coisa: assistam “Argo”. É dirigido pelo cara, ganhou três carecas dourados e também é estrelado pelo cara e, digo pra vocês, eu achei muito bom. Se colocar em perspectiva com o que conhecemos dele (e o que vem à cabeça na hora é o mal-dito Demolidor) fica melhor ainda. Ben Affleck é uma estrela em ascensão em Hollywood – tem escolhido melhor seus filmes e produzido bom material – duvido muito que aceitaria um papel que não se sentisse à altura (lembrando que não faz muito tempo ele NEGOU a direção dum futuro filme da Liga) portanto ponho fé.

Posto isso, vamos ao seguinte, que Christian Bale não foi um bom Batman. Aliás, digo que ele não foi Batman algum, pelo contrário, ele interpretou nos seus três filmes a cargo da franquia um “supertira”, um exército-de-um-homem-só, que tinha traquitanas e veículos, mas de longe não é o Batman que conhecemos.

O Batman de Bale é muito bom em sair para a ação e prender criminosos de rua, sem dúvida, mas a ele falta o heroísmo necessário ao personagem das HQ’s. Logo no primeiro filme temos um Bruce Wayne raso, sem dimensão dramática suficiente, sem um trauma poderoso o bastante para motivas um bilionário adulto a se fantasiar de morcego e sair dando porradas em bandidos pela noite. Não existe ethos do personagem, não me vende a idéia de que um homem adulto sacrifica sua vida de luxo e prazeres em nome de um ideal (sabidamente) perdido, simplesmente fica tão vazio quanto Michael Dudikoff num “American Ninja” da vida – e claro, não vamos esquecer que esse Batman não SALVA NINGUÉM: no final aquele trem que o Liam Neeson (que não passou disso – um irlandês alto e malvado) descarrilhou matou centenas de cidadãos e ninguém diz nada.

Aliás, nesse ponto – sobre heroísmo e vilões – os filmes de Christopher Nolan também decepcionam: tanto no primeiro filme quanto no segundo temos um grande problema com vilões problemáticos e falta de heroísmo. Veja, se por um lado tivemos um Liam Neeson pouco à vontade e superficial no personagem (quem leu nos quadrinhos sabe que faltou muito para chegar num Rás Al Ghul decente) por outro tivemos um Heath Ledger indo muito além do que se esperava – a ponto mesmo de descaracterizar o personagem. Seu Coringa na verdade não passa de um psicopata com gosto estranho por maquiagem, e só. Mas que ainda assim prejudica o filme, pois enquanto não vejo problemas em adaptações transmídia (palavrinha em voga hoje) , ou seja, não vejo problema em ter um Coringa totalmente diferente, enxergo um grande defeito em se ter um filme do gênero de super-herói onde o vilão define o filme.

Quando vamos ver um filme do Batman, esperamos ver o Batman, não um monólogo de três horas dum psicopata maquiado que embora excelente em seu papel não nos traz a idéia de uma história em quadrinhos, nesse ponto o filme de Tim Burton (mesmo dentro de suas limitações) foi mais feliz. O filme é ótimo, não tiro todos os seus méritos, inclusive técnicos, mas convenhamos que é doloroso de re-assistir. Pelo contrário, cada vez que revejo fica menos parecido com um filme do Batman e mais com um filme de ação qualquer. Excelente, mas genérico.

Por fim tenho a acrescentar que Christian Bale não é esse ator todo que dizem. Claro, tem papéis excelentes, mas todos em filmes secundários como O Maquinista e Equilibrium sendo o filme mais conhecido da carreira pré-Batman, Psicopata Americano, adivinhem – RUIM, ruim pra chuchu (revi recentemente e me arrependi forte. Morri de vergonha, porque estava apresentando para a namorada) e durante a trilogia de Nolan ainda emplacou um Oscar com aquele “filme de boxe do Marktt Whaldamon”, mas nada muito além disso (o 3:10 to Yuma que fez com o Russell Crowe foi fraquíssimo). Bale é um ator competente, ponto, nada muito além disso. Muito do que temos a elogiar de sua atuação está profundamente marcado por nosso carinho e afeição pelo herói da infância.

Bale e Nolan vieram depois de uma época difícil para o Batman e para adaptações de quadrinhos em geral – os anos 90. Depois de virarem motivo de polêmica marketeira (com Spawn) e chacota generalizada (com os filmes Schumacher) os filmes de herói finalmente teriam seu paraíso prometido começando pelo X-men do Bryan Singer e pelo citado filme do Morcego. Estávamos tão felizes e exultantes com “um filme de quadrinho conhecido e não aquela merda de Blade” que fechávamos os olhos para problemas comuns aos dois exemplos citados: atuações sofríveis, efeitos (e orçamentos) limitadíssimos, cenas de ação mal-resolvidas, roteiro fraco, etc. Uma análise mais fria, dez anos depois, pode mostrar além do que nossos olhos viram à época.

Ben Affleck não é nem nunca será a melhor escolha para um filme de Batman, mas é a melhor escolha que temos em mãos (e a única, uma vez que quem decide é a Waner, não o twitter) e não acho que seja equivocada. Lembrando que tivemos outro ator mediano, limitadíssimo, e ainda decadente e com problemas com entorpecentes escalado para um filme de herói importantíssimo, que definiria o rumo de uma futura franquia (e editora) e no final acabou dando tão certo que virou o ROSTO de um gênero cinematográfico: quem riu com Robert Downey Jr. vai aplaudir Ben Affleck de pé.

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Responses

  1. […] foi recentemente apontado como o próximo Cavaleiro das Trevas nos cinemas e embora eu esteja relativamente animado com a notícia, não sei se conseguirá obter maior sucesso neste último do que naquele […]

  2. Isso tudo que você disse faria sentido. Pena que você pareceu esquecer o âmbito principal: Nolan queria trazer um filme de herói proximo da realidade, ERA PRA TER CARA DE FILME DE AÇÃO. Tudo foi experimentalmente proximo da realidade.

    Se um puta filme como TDK não te supre as necessidades você ta perdido maninho…

    Enfim, discordei de tudo e achei uma materia infeliz, mas você escreve super bem, ponto pra você. Boa sorte.


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