Publicado por: - TCZ - | sexta-feira, 7 março 2014

LEAVE GHOST RIDER ALONE ou “A excruciante dor na bunda do selim pegando fogo”

Para começar a gente precisa, primeiro, definir umas coisinhas, uns termos. Coisa boba, vai ser bem rápido, duas expressões em inglês que são muito úteis aqui.

Reboot. “Rebootar” algo é recomeçar, mas não do zero. É meio que pegar alguma coisa, reverter a um estado anterior e depois começar daquele ponto em diante algo novo, mas partindo da mesma origem. Mais ou menos como quando seu computador não se reconstrói cada vez que você clica no “reiniciar” – ele só começa de novo, “reboota”.

 

Butthurt. Na melhor tradução livre dos últimos quinze minutos – “dor na bunda”. É o nome daquele sentimento que temos toda vez que ficamos chateados, de pirracinha, quando vemos algo de que não gostamos ou não concordamos. Não é uma perna quebrada, não é um dente inflamado, é aquela dorzinha na bunda que se sente de vez em quando, que não é o suficiente pra você se medicar ou procurar um atendimento profissional, mas que incomoda quando você se mexe muito, ou, melhor ainda, quando fica sentado. Diante do computador, como agora, por exemplo.

 

Posto isso, vamos ao motivo do post: porque, diabos, vocês todos se importam tanto com o novo Motoqueiro Fantasma?

 

 

Ok, vamos também passar logo pelo ponto da tradução: sendo a maior parte das HQ’s que consumimos em nosso país vindas dos Estados Unidos, temos claramente uma espécie de barreira linguística que não nos permite, em primeira instância, aproveitar certos nomes de personagens lá de fora. Basta ver que quando começaram a chegar por estas bandas, pela finada RGE lá nos anos sessenta, ou quase isso, alguns personagens tinham nomes bem diferentes do que estamos acostumados enquanto que outros até hoje ficam meio na berlinda da tradução eficiente X fidelidade ao original (a Tempestade/Storm da RGE era “Faísca” por aqui, ao mesmo tempo que até hoje tentamos entender como “Juggernault” virou “Fanático” e nós acabamos gostando tanto do nome)

“Ghost Rider”, no original, serve pra bastante coisa, quase tudo na verdade: desde pessoas montadas a cavalo até motoqueiros de facto (passando até mesmo por uma fucking retroescavadeira, obrigado por isso Mr. Cage *-*) tudo pode ser “ride-able” em inglês, até mesmo coisas que não são meio de transporte de forma alguma (“ride a wave” ou “ride a storm” – surfar e “cavalgar/viajar (n)a tempestade”, não me peçam pra explicar isso) Aliás, mesmo uma viagem é considerada um “ride”. Assim o personagem é mais o “Ghost” que o “Rider”, é mais o fantasmagórico espírito da vingança do que o seu meio de transporte. Isso faz sentido.

 

 

Pegando fogo na água... mas tá tudo certo.

TIPO ISSO, mas com a cabeça pegando fogo

 

Mas não fez pra quem traduziu aqui. Ou fez, mas não tem equivalente em português. Ou não quiseram procurar. Tanto faz porque eu simplesmente não vejo um problema. Não acho que “Motorista Fantasma” fique ruim (só evoca algumas lembranças de duas ou três empresas de transporte público aqui do Rio de Janeiro) ao mesmo tempo que aposto que é uma chance para a Disney (é meninos, agora é Disney) romper barreiras linguísticas nos quadrinhos e manter o nome original, GHOST RIDER mesmo, como já vem fazendo com suas outras propriedades, como os Muppets (onde o sapo Caco agora é “Kermit” no mundo inteiro) ou mesmo Star Wars, que já havia sido padronizado em inglês no mundo inteiro. Inclusive, basta lembrar que – graças a outra empresa, a Warner – o MAIOR HERÓI DE TODOS OS TEMPOS já possui seu nome em inglês aqui em terras brasileiras já faz um tempinho (e não, não estou falando do Batman)

O problema então, claramente, não é o nome, sabem porque? Vamos pensar de outra forma para que eu me explique melhor: pegue o Batman, que eu citei naquele parêntese ali. Imagine que por algum motivo, sei lá, a Warner decidisse mudar o nome do personagem pra HOMEM-MORCEGO, não, melhor, “Morcegomem”. Imagine que beleza não seria?! Não? O que? Não gostou? Ia dar problema com os fãs? Com os filmes? Desenhos? Games? MERCHANDISING EM GERAL??? É ia, e eu concordo com você. Sabe porque eu concordo com o Batman e discordo com o Motoqueiro?  Porque, vamos ser francos, NINGUÉM SE IMPORTA COM O MOTOQUEIRO FANTASMA!!!

Me diga ai, qual o nome do Motoqueiro Fantasma atual? Pré-futuro-reboot. Qual o nome do Motoqueiro Fantasma clássico? E do anterior? Qual a sua origem? Seus poderes? Seus principais inimigos? Qual é o número atual do seu título próprio?? Complicado? Pois é, tantas interrogações num parágrafo para mostrar o que eu, você e toda a San Diego Comic Com já sabíamos – para todos nós, nerds, o Motoqueiro Fantasma só é um CONCEITO MASSAVÉIO™, uma ideia do car*lho. É uma caveira pegando fogo, com uma jaqueta de couro, montado numa motocicleta IRADA cheio de CORRENTES! FOOOOOOOOOOOODA. Só seria mais “massaveístico”  se, sei lá, ele tivesse ESPETOS E ARMADURA! Mas só.

 

"Oh wait..."

“Oh wait…”

 

O Motoqueiro luta contra inimigos de outros heróis, em revistas de outros heróis, em cidades de outros heróis para atingir o objetivo (tá cansativo já né?) de outros heróis! Pelo amor de Galáctus gente, a história mais memorável do personagem, para mim, foi quando ele fez parte do “QUARTETO CAÇA-NÍQUEL” junto com os superestimados Wolverine, Homem-aranha e o HULK CINZA substituindo o Quarteto Fantástico original por algum motivo imbecil qualquer. A história era MUITO LEGAL, de verdade, eu li como se fosse a coisa mais maneira do mundo, mas eu era adolescente e, bem, um catálogo da REVISTA HERMES com uma sessão de lingerie interessante também estava na categoria “muito legal”, então eu não era padrão. Mas estávamos falando do Motoqueiro e, sério, quando você é coadjuvante do Hulk Cinza alguma coisa desandou no teu bolo.

Mas as reminiscências me trouxeram a outro ponto importante – adolescência. Ok, digamos que o senhor, nobre bacharel, seja o SENHOR FÃ DO MOTOQUEIRO FANTASMA. Você sabe toda a historiografia do personagem, leu todos os gibis, comprou os bonequinhos, as camisetas, a lancheira e o consolo elétrico. Você sabe TUDO de motoqueiros e de fantasmas. Vem cá, quando foi o último quadrinho que você comprou? De linha, não vale esses capa-dura do Alan Moore que você coloca na estante como se fosse uma edição de luxo de um livro de verdade. Não lembra? Ainda era menos de dez reais, ou você – Deus que me perdoe – precisava ver o preço batendo o código da revista numa TABELA? (só pros mais velhos essa) Se você respondeu sim a essa última pergunta sinto te informar amigão, mas você está tendo essa dor toda no seu bumbum atoa, porque o novo Motorista Fantasma NÃO é pra você, é pra essa meninada nova que está comprando suas revistinhas graças a Robert Downey Jr., suas viadagens e sua trupe de encapotados homoafetivamente enrustidos (e a Scarlett Johansson) – talvez para a garotada nova uma moto já não seja tão radical, mas um MUSCLE CAR TUNADO PEGANDO FOGO ALUCICRAZY seja. E se o piloto for um jovem que nem eles, melhor ainda.

 

Em inglês nórdico, "Não é o Helmut", ou seja não é um alemão vendedor de maionese.

“In the picture: Not a helmet”

 

E depois de ver essa notícia com teasers de como ficará o visual do novo piloto, eu me animo junto com a molecada de ler também. Quem sabe não vem algo bacana e com menos “vícios narrativos” como o título solo do Gavião Arqueiro, dinâmico e bebendo de fontes cinematográficas (como são os filmes de “racha na rua” que por si só já constituem um gênero) e com traço inovador. Reparem na nova “caveira” do motoqueiro, como lembra um capacete e ao mesmo tempo as linhas de design da carroceria de um carro (onde o fogo pode ser, porque não, um projeto de tunning)

 

Que é, eu sou velho, dá licença?

Parece… o SHARIVAN!!!

 

Vejam como é LEGAL a ideia dele usar como armas ferramentas de mecânico de autos (pois o personagem novo além de piloto é mecânico) tirando aquela ideia de bilhões de correntes, que depois de jogos como God of War e os novos Castlevania não poderia ser usada de forma impune. Tem um quê de anime também, de cultura oriental, algo entre uma máscara de demônio kabuki e um capacete de tokusatsu… e eu não sei vocês, mas eu GOSTO disso! Se isso não te animar pense que o velho Motoqueiro vai coexistir com esse novo,  dando oportunidade para novas tramas e uma relação interessante entre os personagens: será que vai rolar uma coisa mestre/discípulo? O manjadíssimo pai/filho? Ou a coisa vai descambar pra uma competição entre gerações? QUEM SABE UM RACHA!

 

Uma coisa é certa. O reboot sendo bom ou não, não vai prestar um desserviço maior ao personagem do que os filmes do Nicholas Cage… podemos contar com isso.

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